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O futuro da favela não cabe na urna

Atualizado em 14/10/2026 às 14:30 schedule 3 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Em artigo publicado no site Pragmatismo Político, a bailarina e gestora cultural Tuany Nascimento, moradora do Morro do Adeus, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, defende que o futuro das favelas não pode ser reduzido ao momento do voto. Ela se apresenta como terceira geração de uma família de mulheres negras que cresceu e permanece no território, e afirma olhar essa herança como responsabilidade de enxergar a favela por aquilo que ela produz.

Segundo a autora, o território gera artistas, trabalhadores, empreendedores, conhecimento, redes de cuidado e soluções cotidianas, muitas vezes antes que qualquer política pública chegue. Por isso, ela escreve que pensar o futuro da favela não passa apenas pelo que o poder público deve fazer, mas também pelo que os próprios moradores precisam fazer por si. Entre as demandas que lista estão escola de qualidade, cultura, esporte, saúde, saneamento, mobilidade, moradia digna e segurança, além de oportunidades para os jovens e o direito de sonhar sem que o CEP determine o tamanho dos sonhos.

Tuany também defende que moradores de favela ocupem os espaços de decisão — universidades, empresas, equipamentos culturais, secretarias, conselhos e espaços de poder — sem que isso signifique abandonar as origens. "Sair da favela não deveria significar deixá-la para trás", afirma, mas abrir caminho para que outros cheguem.

No texto, ela relaciona a discussão ao calendário eleitoral. Segundo o artigo, em outubro os eleitores voltam às urnas e, no dia 4, mais de 158 milhões de brasileiros estarão aptos a votar nas Eleições Gerais de 2026, escolhendo presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual, em voto direto e secreto. A autora critica a antecipação da disputa em torno de intenções de voto e propõe inverter a pergunta: antes de saber em quem cada um vota, saber o que se quer para o lugar onde se vive.

Ela cita ainda o Censo 2022, segundo o qual o Brasil tem mais de 16 milhões de pessoas vivendo em Favelas e Comunidades Urbanas, e sustenta que o maior desafio é reconhecer a força existente quando essa população se entende como parte da sociedade, e não à margem dela. Para a autora, democracia não se limita ao ato de votar: envolve participação, organização, cobrança e responsabilidade. O texto é assinado por Tuany Nascimento, fundadora da organização Na Ponta dos Pés, que há mais de uma década usa a dança como instrumento de formação e pertencimento para crianças e jovens da favela.

Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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