O maior desafio do fundador é abrir mão do comando; entenda
Depois de aprender a delegar, formar líderes e deixar de ser o principal gargalo da empresa, o empreendedor enfrenta um desafio ainda mais difícil: abrir mão do comando. A avaliação foi feita pelos fundadores Guilherme Benchimol, da XP, e André Street, da Stone, durante o painel "Do founder ao chairman: o que muda quando você passa a cadeira?", realizado na B55 Conference.
Para Benchimol, muitos empreendedores passam anos construindo empresas bem-sucedidas, mas falham ao criar estruturas capazes de sobreviver à figura do fundador. Segundo ele, a maturidade de uma organização começa a aparecer quando ela se torna capaz de crescer sem a participação direta de quem a fundou. "A parte boa de empreender mesmo é quando você percebe que a empresa fica melhor sem você. A nossa vaidade não deveria ser se manter no poder. A nossa vaidade deveria fazer com que a empresa que fundamos pudesse continuar crescendo independentemente de nós", afirmou.
Street defendeu que os empreendedores precisam desenvolver novas competências à medida que o negócio cresce e reconhecer quando outras pessoas estão mais preparadas para ocupar determinadas posições. "A empresa é muito mais importante do que você", disse. "O fundador tem sempre que evoluir para tentar ser o principal líder do negócio. Mas não necessariamente o CEO." Ele contou que a profissionalização da Stone envolveu a entrada de executivos externos e a construção de uma estrutura menos dependente dos fundadores.
Na avaliação de Thiago Maffra, CEO da XP, uma das principais razões para o fracasso de processos de sucessão ocorre quando o fundador deixa o cargo formalmente, mas continua interferindo na operação. "A principal causa de falha numa sucessão é o fundador continuar na operação", afirmou. Segundo ele, a transição só funciona quando o novo executivo recebe autonomia real para tomar decisões e liderar a empresa. Maffra relatou que, ao assumir o comando, ficou combinado que a decisão final sobre o time seria sua, ainda que Benchimol participasse dos processos.
O CEO da Stone, Matheus Scherer, afirmou que a confiança é o elemento central para que uma sucessão funcione. Segundo ele, fundadores precisam aceitar que seus sucessores tomarão decisões diferentes das que eles tomariam e terão sua própria forma de liderar o negócio. "Tem que confiar que aquela pessoa vai ter liberdade para fazer as mudanças que acredita." Ao encerrar o debate, Benchimol voltou a defender que a capacidade de delegar talvez seja uma das habilidades mais difíceis para quem criou um negócio do zero. "Você tem que ser capaz de aprender a delegar e aprender a confiar na pessoa certa. Gente boa quer autonomia e liberdade. Gente ruim, gente medíocre, é que quer ser microgerenciada."
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarSobre o autor
Por Redação