O “paradoxo” da Bolsa: por que e quais ações estão mais baratas mesmo após disparada?
Analistas do Bradesco BBI e do BTG Pactual defendem, em relatórios divulgados após o primeiro turno das eleições, que parte das ações brasileiras negocia hoje com múltiplos menores do que antes do rali eleitoral. A tese parece contraintuitiva, mas se sustenta em um argumento central: o lucro esperado das empresas cresceu mais rápido do que as cotações.
Segundo o Bradesco BBI, a queda de aproximadamente 140 pontos-base dos juros reais de longo prazo desde julho elevou em cerca de 15% o valor justo estimado para as ações brasileiras. A redução do risco fiscal percebido após as eleições ampliou esse potencial. Para o banco, a Bolsa passou a contar com três motores simultâneos: valor justo mais alto, menor risco fiscal e futuras revisões positivas de lucro. O BTG Pactual conclui que parte relevante das companhias domésticas ainda não precifica integralmente um ciclo mais intenso de afrouxamento monetário.
O mercado trabalha atualmente com Selic próxima de 12% ao final de 2027. O BTG avalia que um cenário fiscal mais benigno poderia levar a taxa para algo entre 10% e 11%, redução de até 375 pontos-base em relação aos níveis atuais. Juros menores tendem a beneficiar especialmente empresas com elevado endividamento, grande parcela da dívida indexada ao CDI/Selic e margens sensíveis ao custo financeiro. O banco analisou cerca de 100 empresas brasileiras e calculou quanto o lucro de 2027 aumentaria para cada queda de 100 pontos-base na Selic.
Entre os destaques apontados pelas duas instituições estão Magazine Luiza (MGLU3), cujo lucro pode subir cerca de 19% a cada 100 pontos-base de corte, segundo o BTG; Ecorodovias (ECOR3), com impacto estimado de aproximadamente 45%; Vamos (VAMO3), com cerca de 10%; e JSL (JSLG3), com cerca de 7%. Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3) também aparecem entre as maiores exposições à queda dos juros.
O BTG aponta varejo, incorporadoras de média e alta renda, utilities, infraestrutura, locadoras e empresas de mercado de capitais como os segmentos mais beneficiados, citando Equatorial (EQTL3), Energisa (ENGI11), Sabesp (SBSP3), Motiva (MOTV3), Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3). O BBI concentra sua carteira em nomes ligados ao mercado de capitais, small caps e empresas sensíveis aos juros, como B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11), XP (BDR: XPBR31), Cyrela (CYRE3), Cogna e Ecorodovias. Na direção oposta, bancos, seguradoras e companhias com caixa líquido elevado, como WEG (WEGE3), Ambev (ABEV3) e Cury (CURY3), tendem a ter desempenho relativamente inferior em um ambiente de Selic mais baixa.
Os analistas ressaltam, no entanto, a forte volatilidade das ações que dependem dessa tese em meio ao noticiário político. Na última terça-feira (13), papéis ligados ao setor de consumo e varejo tiveram forte queda com o avanço dos juros futuros na sessão.
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Por Redação