Opções de BBAS3, PETR4 e BOVA11 voltam a precificar risco antes do 2º turno
O risco voltou a ganhar preço no mercado de opções às vésperas do segundo turno, e o Banco do Brasil (BBAS3) aparece mais uma vez com volatilidade implícita bem acima de Petrobras (PETR4) e do ETF BOVA11. Nas opções mensais que atravessam a votação, a volatilidade implícita está perto de 44% a 46% para o BOVA11, de 46% a 48% para a Petrobras e de 67% a 69% no caso do Banco do Brasil.
Segundo Matheus Medeiros, analista da Nomos, as opções que atravessam o segundo turno apresentam volatilidade implícita mais elevada do que as que vencem antes da votação. "O mercado está cobrando um prêmio adicional de quem quer manter posições durante o evento eleitoral", afirma. O movimento retoma dinâmica observada antes do primeiro turno, quando as opções embutiam cerca de 39% no BOVA11, 47% em PETR4 e 66% em BBAS3. Após as urnas, esse prêmio saiu rapidamente dos contratos: no primeiro pregão depois da votação, a volatilidade implícita recuou para cerca de 25% a 26% no BOVA11, 34% a 36% em Petrobras e 40% a 42% no Banco do Brasil — movimento conhecido como vol crush.
Para o analista, é em BBAS3 que aparece o sinal mais forte de reprecificação do risco na reta final eleitoral, relacionado às expectativas envolvendo políticas públicas e à percepção de risco político. Isso, porém, não significa que o mercado esteja necessariamente apostando em queda. A volatilidade implícita é extraída dos preços das próprias opções e indica quanto movimento futuro o mercado coloca no preço dos contratos. "Quando ela sobe, as opções tendem a ficar mais caras, porque os investidores passam a pagar mais para se proteger ou para buscar ganhos com oscilações maiores", explica. Uma IV de 69% não significa 69% de chance de queda nem projeta alta ou baixa dessa magnitude.
O vencimento dos contratos ajuda a explicar o prêmio. Quem mantém uma opção durante o fim de semana eleitoral fica exposto ao movimento do ativo quando a Bolsa reabrir, sem poder ajustar a posição com o mercado fechado. "O mercado não está necessariamente apostando em uma queda, mas está cobrando mais caro de quem quer ficar o fim de semana posicionado em opções", diz Madruga. O prêmio também aparece nos vencimentos de novembro, embora tenda a ser menor do que nos contratos mais diretamente expostos ao evento eleitoral.
No caso do Banco do Brasil, fatores próprios também influenciam a percepção de risco, como o desempenho da carteira de crédito, as provisões e a exposição ao agronegócio. O BOVA11, por representar uma cesta mais ampla de ações, dilui riscos específicos das empresas. Já a Petrobras apresenta volatilidade elevada, mas permanece bem abaixo dos níveis observados em BBAS3. As opções, sozinhas, não indicam para onde os ativos irão depois das urnas: mostram quanto o mercado está cobrando para carregar a incerteza — e, entre os três analisados, esse preço está mais alto no Banco do Brasil.
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