Os milionários de origem cubana que se preparam em Miami para a possível queda do governo da ilha
Um grupo de empresários cubano-americanos de Miami criou a Câmara Nacional de Comércio Cubano-Americana (Cancc, na sigla em inglês) para se preparar para uma eventual mudança de regime em Cuba. A quarta reunião da entidade ocorreu na mansão de um cirurgião plástico com vista para a baía de Biscayne, reunindo algumas das famílias mais ricas da Flórida, segundo relato do correspondente da BBC News Will Grant.
O presidente da Cancc, Juan Omar Sixto, afirma que o objetivo é "estar em Cuba assim que cair o regime". Ele diz que a organização elabora planos para o que chama de "dia seguinte" na ilha, incluindo uma proposta para uma Bolsa de Valores cubana e comitês sobre temas como infraestrutura energética e segurança alimentar. Sixto, que fugiu de Cuba na adolescência e hoje atua na construção civil, garante que os empresários fariam negócios na ilha imediatamente, além de fornecer ajuda humanitária e insumos médicos.
Segundo a reportagem, os participantes minimizam as 176 medidas de liberalização econômica anunciadas recentemente pelo governo cubano, que as classifica como forma de "promover a defesa do socialismo, apoiar e ampliar a justiça social". Para os críticos, as medidas se aproximam do capitalismo. O grupo as considera superficiais e sem garantias significativas para investidores. Sixto afirma que não pisará em Cuba enquanto o regime atual permanecer no poder.
Analistas ouvidos pela BBC avaliam que as reuniões de planejamento são prematuras. O professor de história Mike Bustamante, da Universidade de Miami, diz que as expectativas de um "dia seguinte" foram postergadas, diante da proximidade das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e do envolvimento do governo Trump em outros temas internacionais. Ele afirma que o abastecimento de petróleo da ilha, praticamente interrompido desde janeiro, tornou a vida insuportável para a maioria da população, mas ainda não criou condições para uma reviravolta política.
A questão das terras é central nos planos do grupo. Sixto conta que seu pai perdeu cinco propriedades e uma fazenda em Pinar del Río com a revolução e defende restituição ou indenização, sem intenção de desalojar famílias. O governo cubano qualifica essas reivindicações históricas como ressentimento de uma aristocracia latifundiária. O especialista agrícola cubano-americano Hugo Orizondo defende que investidores trariam dinheiro e tecnologia necessários para a produção de alimentos na ilha.
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Por Redação