Os principais momentos do debate entre Lula e Flávio na Globo
O último debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno, transmitido pela TV Globo na noite de sexta-feira (23/10), teve tom mais ameno do que o primeiro confronto entre os dois, mas não dispensou momentos acalorados. O formato, com perguntas baseadas em temas pré-estabelecidos e candidatos fixos no púlpito, favoreceu a discussão de propostas.
Flávio explorou segurança pública e economia, com comentários sobre o aumento do custo de vida, e buscou retratar Lula como um candidato ultrapassado. "Ele parece que parou no tempo. Infelizmente, o atual presidente da República, as ideias que ele tinha, que eram boas lá atrás, hoje não funcionam mais", afirmou. Lula, por sua vez, sugeriu que o adversário cortaria programas e benefícios sociais e tentou associá-lo à elite, contrapondo sua trajetória como trabalhador da indústria. Segundo a cientista política Denilde Holzhacker, o presidente se atrapalhou com as regras do debate e não controlou o tempo em algumas respostas, enquanto a falta de paciência de Flávio pode ter passado uma percepção de arrogância.
“Nove dedos” e licença-maternidade
Um dos momentos mais tensos ocorreu quando Flávio provocou Lula citando o fato de ele ter nove dedos nas mãos — o presidente perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em acidente de trabalho aos 17 anos. "Não adianta nada, Lula, o salário mínimo ser de R$ 1.621, se você dá com uma mão e tira com nove dedos", disse o senador. Lula reagiu dizendo que não permitiria "que um miliciano me chame de nove dedos" e exigiu um pedido de desculpas. Flávio se desculpou, mas aproveitou para questionar se Lula pediria desculpas aos moradores de rua. Para Holzhacker, o pedido de desculpas diminuiu o efeito esperado pelo presidente. O candidato do PL também voltou atrás ao ser questionado sobre seu voto, quando deputado estadual, contra o aumento da licença-maternidade: "na época eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego, e eu estava errado", afirmou.
Segurança pública e o caso Ana Clara
No bloco sobre segurança, Flávio prometeu tratar "bandido como bandido" e defendeu a redução da maioridade penal para 14 anos, além de castração química para estupradores e abusadores de crianças. Lula respondeu citando o caso de Ana Clara, menina de cinco anos morta a tiros em Niterói em 2021, e mencionou a mãe da criança, presente na plateia. Flávio atuou na defesa do policial militar acusado do disparo. O senador manifestou solidariedade à mãe, mas disse acreditar que o policial não foi o autor e que ele sequer havia sido julgado. Em seguida, Lula acusou o adversário de ter ligação com milicianos no Rio de Janeiro, e Flávio se defendeu em direito de resposta, afirmando nunca ter sido investigado por envolvimento com milícia.
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