Papa Leão promete retorno gradual às funções em 1º evento desde cirurgia de câncer
O Papa Leão, de 71 anos, afirmou neste domingo que retomará gradualmente suas atividades habituais como líder dos cerca de 1,4 bilhão de católicos no mundo. A declaração foi feita durante a tradicional saudação de meio-dia na janela do Palácio Apostólico, no Vaticano, em seu primeiro evento público desde a cirurgia para tratar um câncer de pulmão, realizada cinco dias antes.
Leão foi operado na terça-feira para a remoção do lobo inferior do pulmão direito. Ele recebeu alta do hospital Gemelli, em Roma, no sábado, após exames de sangue e imagens torácicas indicarem que estava em condições de voltar para casa. Segundo os médicos, o papa é capaz de realizar atividades diárias normais de forma independente. Ele chegou à janela do palácio sem ajuda e cumpriu o compromisso semanal como de costume, falando aos peregrinos com voz firme e clara.
“Tendo superado essa fase delicada… agora retomarei gradualmente minhas atividades, sempre com a ajuda de Deus e de suas orações”, disse o pontífice, que agradeceu às pessoas de todo o mundo pelas orações. Ele também exortou os presentes a deixarem de lado ambições egoístas e a servirem a Deus “sem concessões”. A multidão na Praça de São Pedro, estimada pelo Vaticano em cerca de 15 mil pessoas, aplaudiu e gritou quando ele apareceu. Uma freira se ajoelhou e chorou, enquanto outras erguiam um cartaz com votos de recuperação.
O papa foi diagnosticado com adenocarcinoma de pulmão, a forma mais comum de câncer de pulmão. Ele é o primeiro papa norte-americano e o mais jovem em décadas, eleito em maio de 2025. O Vaticano cancelou seus outros eventos públicos até pelo menos quarta-feira, quando ele deve realizar uma audiência geral semanal na Praça de São Pedro — não foi informado se ele comparecerá.
Leão também planeja visitar o Uruguai, a Argentina e o Peru entre 6 e 17 de novembro, em uma das viagens mais intensas organizadas para um líder católico nas últimas décadas. O cirurgião-chefe do papa, Stefano Margaritora, disse no sábado que ele poderia estar totalmente recuperado a tempo da viagem. O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, manifestou ceticismo e afirmou a jornalistas na sexta-feira que o papa talvez precise ajustar o ritmo de sua agenda “de acordo com o estado de saúde”.
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