Pároco de Lampedusa se despede: “O contato com os migrantes mudou meu coração”
Após cinco anos à frente da paróquia de São Gerlando, na Ilha de Lampedusa, o Padre Carmelo Rizzo se despede da comunidade. Ele será o novo pároco da igreja de Santo Antônio de Pádua, em Palma de Montechiaro, província de Agrigento, na Sicília, no sul da Itália, município que conta 21.500 habitantes.
Em declarações à mídia do Vaticano, o sacerdote afirmou que deixa na ilha "um pedaço do meu coração". Segundo ele, a experiência em Lampedusa não se compara a outras: "Aqui é diferente, porque, nesta ilha, vivemos como uma só família, com suas virtudes e defeitos; estamos sempre juntos, crescemos juntos, um fenômeno que nos leva a estar sempre no olho do furacão".
O pároco recordou a onda de cerca de 12 mil migrantes que chegou à ilha em uma única semana, em 2023. Na ocasião, disse, os protocolos foram ignorados e as pessoas ficaram amontoadas. Ainda assim, destacou a acolhida da comunidade, que se colocou na linha de frente para enfrentar os problemas. "Quando a gente ajuda um irmão, lhe dá alguma coisa e até a própria vida, com gestos simples, a recompensa divina chega e enche o coração", afirmou. Para ele, a experiência o transformou não apenas como homem, mas também como sacerdote, cujo ministério é estar em contato direto com a pobreza e a proximidade dos migrantes.
Sobre o período pós-Covid, quando chegou à ilha, o padre lembrou que havia fortes restrições: os migrantes não podiam sair do centro de assistência e os contatos eram limitados ao cais. A acolhida, disse, era feita de gestos "realmente evangélicos e humildes", como um carinho, um copo d'água, um sorriso ou perguntar o nome. "Ver pessoas que morrem de sede até por falta de um copo d'água nos ensina muitas coisas", declarou, acrescentando que o contato com a pobreza e a simplicidade faz com que se veja tudo sob um ponto de vista diferente.
A comunidade de Lampedusa acolheu o Papa Francisco, em 2013, e o Papa Leão XIV, em julho passado. Para o Padre Carmelo Rizzo, a atenção dos dois Pontífices à ilha foi "um privilégio". Ele contou que não estava presente em 2013, mas que a experiência de Francisco entre os insulanos segue viva, marcada por entusiasmo, alegria e apreensão. Sobre a visita de Leão XIV, disse que o Pontífice agradeceu à ilha por ser símbolo de hospitalidade, em razão de sua posição geográfica no centro do Mediterrâneo, e manifestou o desejo de dar continuidade ao ministério de Francisco e confirmar a mensagem deixada a Lampedusa.
Neste ano, Lampedusa recorda as 368 vítimas do naufrágio de migrantes ocorrido em 3 de outubro de 2013, entre as quais muitas crianças e mulheres. As iniciativas em memória da data serão concluídas na paróquia de São Gerlando com uma celebração noturna inter-religiosa, promovida pelo Setor de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da Arquidiocese de Agrigento e pela Federação das Igrejas Evangélicas da Itália, com a participação da União das Comunidades Islâmicas da Itália.
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Por Redação