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Pediatras alertam para riscos de brinquedos com IA

Por Redação
Atualizado em 21/10/2026 às 21:20 schedule 3 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um alerta sobre a escolha e o acompanhamento de brinquedos que usam inteligência artificial, diante do avanço da tecnologia em produtos lúdicos. Segundo a entidade, o objetivo é reduzir os riscos de exposição indevida de crianças e adolescentes. Sistemas de IA generativa reconhecem voz e imagem, recordam informações, adaptam respostas e mantêm conversas que não são inteiramente pré-programadas — características que, segundo a SBP, exigem atenção de pais e responsáveis.

A entidade classifica o tema como urgente e cita o anúncio do Muse Charm, dispositivo portátil da Meta comparado pela imprensa a um Tamagotchi com IA. Embora não seja um brinquedo infantil, o produto ilustra, na avaliação da SBP, como agentes de IA passam a ocupar formas físicas, portáteis e personalizadas. O alerta reforça que, apesar de usar linguagem afetiva ou empática, a IA não é uma pessoa, e que um brinquedo conectado pode ter microfone, câmera e acesso integral à internet, além de coletar dados e oferecer mecanismos de personalização e engajamento.

Uma revisão publicada na revista Pediatrics, mencionada no documento, destaca o risco de crianças desenvolverem percepções equivocadas da IA como amiga ou cuidadora. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também alertou para os chamados AI companions — brinquedos ou produtos que estimulam conversas em relacionamentos. Para a SBP, a pergunta não deve ser apenas o que o brinquedo faz, mas como funciona, quais informações coleta, para que os dados são usados e se incorpora mecanismos adequados de proteção.

A orientação é ter cautela com brinquedos que usam IA generativa, mantêm conversas abertas, coletam dados pessoais e simulam amizade, cuidado ou apoio emocional. Quando essas funcionalidades não trazem benefício claro ou quando o funcionamento e os mecanismos de proteção carecem de transparência, a recomendação é priorizar produtos sem esses recursos. Os pediatras também demonstram preocupação com os efeitos à saúde mental e comportamental de longo prazo dessas interações, ainda não suficientemente mapeados. "A incerteza científica não significa ausência de riscos e reforça a necessidade de proteção adequada à infância e à adolescência", avalia a entidade.

O alerta propõe perguntas para as famílias refletirem antes da compra, como o que a tecnologia acrescenta à brincadeira, se a criança participa ativamente, como o produto funciona, se a indicação etária e a supervisão parental estão claras, o que acontece com os dados, se há exposição a perfilamento ou publicidade e se a criança entenderá que interage com uma IA. A SBP destaca que informações essenciais devem estar acessíveis — câmera, microfone, necessidade de internet, dados registrados, armazenamento, compartilhamento com terceiros e recursos ativados por padrão. Se não estiverem disponíveis, a recomendação é não comprar. Fornecedores são obrigados a informar sobre riscos e medidas de segurança. Em caso de problemas, as famílias podem pedir informações, correção ou eliminação de dados, desistir da compra em até sete dias quando feita fora do estabelecimento, usar canais do fornecedor e reclamar no Procon, no consumidor.gov.br e na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Esta matéria foi publicada primeiro em Saúde · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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