Pedro Parente não declara voto, mas vê em Flávio risco de concentração de poder com vitória da direita no Congresso
O ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento Pedro Parente afirmou que o resultado do primeiro turno alterou a equação da disputa presidencial. Segundo ele, com uma maioria de direita eleita para a Câmara e o Senado, aumentou a distância entre os riscos que cada candidato representa para o país.
"Agora tem um que realmente tem uma representação de risco para o país, dessa concentração de poder", disse Parente, em entrevista à BBC News Brasil. "É bem mais do que parecia ser antes do primeiro turno." Ele comparou o cenário ao dos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump governou com maioria republicana nas duas casas do Congresso.
Apesar da avaliação, Parente não declarou voto. Afirmou que sua decisão é "individual e solitária", expressão que repete o fecho de sua coluna "Convicção ou Responsabilidade?", publicada no jornal O Globo. Ele já havia afirmado, em carta publicada no LinkedIn, que não vota em Flávio Bolsonaro (PL).
Na entrevista, Parente detalhou o que viu em um jantar com o candidato em São Paulo, organizado pelo ex-presidente do Credit Suisse Brasil Marcelo Kayath. Segundo ele, mesmo quando questionado, Flávio não demonstrou ter um projeto de país. As propostas econômicas apresentadas foram genéricas e vieram não do candidato, mas de dois assessores — a ex-presidente da Caixa Daniella Marques e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. A possibilidade de moderação de Flávio, para Parente, é "um enigma".
Sobre o governo do presidente Lula, que ajudou a eleger em 2022, Parente disse ter sido decepcionado pela "prática da velha política fisiológica", com alianças entre Executivo e Legislativo baseadas em interesses de grupos. Ele afirmou que o país "não melhorou nesses quatro anos" e que Lula "sucumbiu à política pequena".
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Por Redação