Pesquisa revela quando a autenticidade pode jogar contra os líderes
Durante muito tempo, a imagem do líder forte esteve associada à invulnerabilidade e ao estoicismo, sem espaço para demonstrações de fraqueza. Nos últimos anos, porém, ganhou força a ideia de que apresentar uma versão autêntica de si mesmo aos funcionários pode fortalecer o desempenho e a criatividade das equipes. O conselho tradicional para quem busca ser visto como autêntico é se abrir, admitindo uma dificuldade ou revelando um infortúnio pessoal — revelações que, por exporem algo desfavorável, teriam um custo pessoal e, justamente por isso, ajudariam a construir confiança.
Uma nova pesquisa, no entanto, indica que nem todas as revelações custosas são percebidas como igualmente autênticas. Em 10 experimentos com mais de 2 mil participantes nos Estados Unidos e no Reino Unido, os pesquisadores testaram reações a diferentes tipos de revelações desfavoráveis e concluíram que o fator decisivo é a escolha: os participantes reagiram de forma mais positiva quando o que o líder compartilhava demonstrava que ele havia exercido sua própria agência. Contar que o carro quebrou antes de uma apresentação importante, por exemplo, parece menos autêntico do que contar que se decidiu fazer a apresentação sem nenhum slide, ainda que ambas as situações tenham tido consequências negativas.
O estudo examinou três tipos de revelações: as que sinalizam um revés pessoal, como um assalto ou uma doença; as que sinalizam uma escolha não convencional, como ignorar o código de vestimenta em um jantar do conselho; e as que sinalizam uma escolha exploratória ou oportunista, como conseguir um estágio imerecido para o filho de um amigo. Em um dos experimentos, líderes que compartilhavam comportamentos não convencionais receberam avaliações de autenticidade 21% superiores às daqueles que revelavam um revés pessoal. Já os que admitiam comportamentos oportunistas foram vistos como 76% menos autênticos do que os que compartilhavam comportamentos não convencionais.
Segundo os pesquisadores, a diferença se resume ao nível de controle que o líder tinha sobre a experiência compartilhada e ao que isso comunica aos seguidores. Uma escolha não convencional sinaliza autonomia e disposição para desafiar convenções mesmo a um custo pessoal; um revés sinaliza humanidade, despertando empatia, mas sem revelar nada distintivo sobre o caráter do líder; e uma escolha oportunista, embora também demonstre agência, revela algo pouco confiável sobre seu processo de tomada de decisão. O ganho de autenticidade desaparecia quando o fato era lido em uma reportagem ou observado diretamente — para parecer autêntico, o líder precisava revelar a informação por conta própria.
O efeito também pareceu específico de líderes mais experientes. Ao comparar revelações idênticas feitas por uma senadora e por uma assessora, o benefício de autenticidade foi forte no primeiro caso e inexistente no segundo. A explicação é que líderes acumulam um histórico de competência que lhes concede uma licença informal para se afastar de expectativas tradicionais, algo que psicólogos chamam de "créditos de idiossincrasia". Os autores ressaltam que não sugerem que líderes nunca revelem reveses pessoais, pois esse tipo de revelação gera empatia de forma consistente, e lembram que os estudos analisaram revelações isoladas: ainda não se sabe se os benefícios permanecem quando um líder compartilha repetidamente escolhas não convencionais.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação