Pesquisas eleitorais, debate e fiscal: o que pode mexer com o Ibovespa até 2º turno?
O Ibovespa encerrou a sessão da última segunda-feira (19) com leve queda de 0,17%, aos 205.079,25 pontos, no primeiro pregão da última semana antes do segundo turno. A estabilidade do índice escondeu movimentações fortes entre as ações: a Petrobras recuou, em ajuste após ganhos recentes e com a baixa do petróleo, enquanto papéis cíclicos foram favorecidos por revisões de recomendação.
Para os analistas do BB Investimentos, o índice parece ter encontrado um novo patamar de precificação, em torno do qual deve oscilar ao longo da semana, entre 204 mil e 207 mil pontos. Em relatório a clientes, a equipe afirmou que a proximidade do segundo turno deve manter o padrão de volatilidade elevado, o que torna esse intervalo de preços um suporte e uma resistência fracos, mesmo no curtíssimo prazo. A acomodação vem após o índice acumular queda de 1,74% na semana anterior, depois da reação positiva ao desfecho do primeiro turno, quando renovou recordes.
O economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, avalia que a semana deve ser de cautela, sem grandes movimentos, a menos que haja mudança de sinal muito grande nas pesquisas. Ele também vê espaço para que o investidor estrangeiro fique mais cauteloso nos próximos dias, caso não surja sinalização que garanta chance de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) muito maior do que a já precificada. Parte dos agentes considera que, com Flávio no Planalto, cresceriam as chances de maior controle das contas públicas, ainda que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado propostas concretas de ajuste.
Operadores citam preocupação com a falta de detalhamento sobre o plano fiscal do senador, após o debate na TV Band no domingo, marcado mais por provocações do que por exposição de propostas. Flávio responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo endividamento das famílias e acusou o governo de gastar demais; Lula questionou se o adversário adotará o modelo econômico do presidente da Argentina, Javier Milei, e destacou o aumento da pobreza no país vizinho. Para Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, o mercado ajustou preços entre realizar lucros do primeiro turno e montar posições para o segundo, de olho no debate e em pesquisas que mostram empate técnico.
Os levantamentos divulgados na segunda-feira apontaram cenário apertado. A pesquisa BTG/Nexus mostrou Flávio com 46,5% das intenções de voto e Lula com 45,9%, diferença de 0,6 ponto percentual dentro da margem de erro de 2 pontos. A Atlas indicou Flávio com 49,8% e Lula com 47,6%, vantagem de 2,2 pontos, acima da margem de 1 ponto. Já a PoderData/Aya registrou 52% para Flávio e 48% para Lula, com margem de 1,8 ponto. Novas pesquisas devem ser divulgadas ao longo da semana, entre elas Real Time Big Data, Datafolha e Ipespe.
Na análise gráfica do Itaú BBA, o Ibovespa mantém tendência de alta, com resistência em 209.700 pontos, máxima histórica. Superado esse nível, o índice abriria caminho para os 220 mil pontos no curto prazo e os 245 mil no médio prazo. Na baixa, o suporte está em 203 mil pontos; abaixo disso, começaria um movimento de realização de lucros, com suporte relevante em 192.100 pontos.
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