Polícia Federal enfrenta atrasos para encerrar investigação sobre o Banco Master
A Polícia Federal enfrenta dificuldades para concluir os inquéritos da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e o BRB. O cronograma original previa o encerramento de frentes importantes em agosto de 2026, mas sucessivos adiamentos de depoimentos de testemunhas e investigados comprometeram o prazo. Diante do atraso, a corporação pediu mais 60 dias para finalizar as apurações.
Entre os depoimentos afetados estão o de André Esteves, controlador do BTG Pactual, e o de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, cujas oitivas foram canceladas ou adiadas a pedido das defesas. Os advogados alegam principalmente a falta de acesso integral aos documentos da investigação para preparar os depoimentos. Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, já teve seu depoimento remarcado três vezes pelo mesmo motivo. O acúmulo de adiamentos trava a agenda dos investigadores, reduz o tempo para cruzar dados e empurra a entrega do relatório final.
Embora as justificativas oficiais sejam jurídicas, investigadores avaliam que o calendário político também influencia o andamento do caso. Com o segundo turno das eleições marcado para 25 de outubro de 2026, há incerteza sobre o ambiente político que surgirá após as urnas. Personagens importantes do caso, como o senador Jaques Wagner, reeleito na Bahia, ainda não foram ouvidos. Dependendo do resultado eleitoral, mudanças de forças no Congresso e no Executivo podem alterar o cenário em que esses relatórios serão recebidos e julgados, possivelmente em 2027.
Uma das frentes mais sensíveis da investigação busca reconstruir reuniões, comunicações e decisões internas para entender se houve favorecimento ilegal ao banco de Daniel Vorcaro. A suspeita é de que ex-servidores do Banco Central tenham agido para beneficiar a instituição financeira em operações irregulares. O objetivo é esclarecer o que a cúpula da autarquia conhecia sobre essas interações.
Nesta quinta-feira, 15 de outubro, Vorcaro prestou depoimento presencial na Papudinha, em Brasília, onde está preso há sete meses. Ele respondeu sobre a tentativa de venda do Master ao BRB e a negociação de carteiras de crédito suspeitas, operação barrada pelo Banco Central em 2025. Vorcaro e seu pai, Henrique Vorcaro, negam irregularidades ou a existência de uma estrutura de corrupção.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação