Polícia Federal solicita ampliação de prazo para investigar Lulinha
A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um acréscimo de 90 dias para dar continuidade às investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, no âmbito dos inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência. O pedido ocorre em um momento de estagnação processual: três inquéritos tramitam na Corte, mas registram poucos avanços práticos nas últimas semanas.
Dois desses processos estão sob a relatoria do ministro André Mendonça e foram enviados temporariamente ao presidente do STF, Edson Fachin, onde permanecem parados. Um terceiro caso, relatado pelo ministro Flávio Dino, também não teve movimentações relevantes. Segundo especialistas ouvidos na reportagem, a proximidade do período eleitoral e o pedido da Polícia Federal por mais tempo para concluir as diligências apontam para um adiamento sistemático das apurações.
A pressão política aumentou após declarações da empresária Roberta Luchsinger. Investigada em um caso sobre descontos indevidos no INSS, ela afirmou ter presenciado encontros de Lulinha com autoridades do governo federal e manifestou o desejo de fechar um acordo de delação premiada para detalhar o que sabe. O tráfico de influência ocorre quando alguém usa a proximidade com governantes para obter vantagens para si ou para terceiros. Roberta alega que apresentou contatos influentes ao empresário, enquanto a defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade ou benefício indevido nessas relações.
Juristas apontam diferenças no tratamento dado aos investigados. Roberta foi alvo de mandados de busca e apreensão, com celular e documentos recolhidos pela Polícia Federal. Lulinha, que vive na Espanha, ainda não foi ouvido pelas autoridades nem sofreu medidas semelhantes, embora as provas colhidas contra a empresária sirvam de base para os inquéritos de tráfico de influência contra ele. Analistas questionam se a lentidão e a ausência de depoimentos do filho do presidente seguem critérios objetivos ou se há interferência do cenário político-institucional.
Os advogados de Lulinha afirmam que suas relações com políticos são estritamente pessoais e construídas desde a infância. A defesa critica a investigação, alegando manipulação e vazamentos de dados para prejudicar a imagem da família durante as eleições. A Presidência da República, por meio da Secom, declarou que o presidente Lula não conhece a lobista nem recebeu suas demandas. Em debate presidencial recente, Lula sugeriu que a entrevista de Roberta poderia ter motivação eleitoral. Para o setor jurídico, a investigação só avançará se houver verificação rigorosa de transferências bancárias.
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