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Por que líderes estão prejudicando o sono das equipes sem perceber

Atualizado em 17/10/2026 às 08:05 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Um neurocientista especializado em sono, que orienta equipes de liderança há uma década, analisou em artigo o que realmente afeta o descanso dentro das organizações e como comportamentos de gestores podem prejudicar o sono dos funcionários sem que eles percebam. A base do texto é uma nova pesquisa do próprio autor e estudos do professor de comportamento organizacional Christopher Barnes.

Em três estudos separados, Barnes e colegas perguntaram a funcionários até que ponto seus gestores tratavam o sono como algo a ser sacrificado pelo trabalho — o que incluía se vangloriar de dormir pouco, enviar mensagens em horários em que a maioria das pessoas está dormindo ou recompensar quem responde e-mails às três da manhã. Quanto mais os gestores agiam assim, pior seus funcionários dormiam. O impacto ia além do quarto: quem dormia pior sob essas lideranças tinha mais probabilidade de adotar comportamentos antiéticos no trabalho no dia seguinte.

Uma evidência de que mudar expectativas ajuda a recuperar o sono vem do meio militar. Em um estudo randomizado com 39 pelotões do Exército dos Estados Unidos, equipes de liderança receberam apenas uma hora de treinamento sobre “liderança do sono” — tratar o descanso da equipe como parte de suas responsabilidades, incentivar horas extras de descanso antes de dias mais exigentes e dar o exemplo ao dormir em horário adequado. Os subordinados não foram informados de que participavam do estudo. Um mês depois, tinham mais que o dobro de chances de dormir mais de sete horas por noite em comparação com soldados cujos líderes não receberam o treinamento.

Segundo a pesquisa do autor, duas condições explicam o efeito: o que é permitido e o que é valorizado. Entre os líderes que disseram que suas organizações não permitiam priorizar uma quantidade adequada de sono, 51% afirmaram dormir menos do que precisavam em quatro ou mais noites por semana; entre os que responderam que sim, o percentual foi de 35%. Já seis em cada dez líderes, em diferentes setores e tamanhos de empresas, afirmam que, em suas organizações, dormir pouco é visto como sinal de comprometimento. Nessas empresas, 94% disseram ter escondido o cansaço pelo menos uma vez no último mês, contra 57% nos demais ambientes — embora esses líderes não durmam menos do que os outros. Para o autor, a cultura produz a performance do sacrifício, não o sacrifício em si.

O artigo propõe uma “avaliação de recuperação” em três etapas: avaliar a si mesmo, com perguntas sobre noites mal dormidas, horas necessárias de sono e cansaço escondido, além de reuniões cedo e e-mails tardios enviados pela própria equipe; observar o ambiente, atentando a padrões de erros, irritabilidade e sinais físicos como desejo constante de cafeína; e ouvir a equipe de forma anônima. O autor ressalta que os sinais observados não constituem diagnóstico, mas um motivo para iniciar uma conversa.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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