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Prédio incendiado, 272 presos: o que está por trás de dia de protestos na França

Atualizado em 17/10/2026 às 20:50 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Um posto de atendimento ao turista foi incendiado em Lyon neste sábado (17/10), em uma jornada de protestos que tomou diversas cidades francesas. Segundo as autoridades, 272 pessoas foram presas em todo o país. As manifestações, que ocorrem em Paris e em outros centros urbanos, reúnem estudantes, sindicatos de trabalhadores e integrantes do movimento dos "coletes amarelos" contra a queda na qualidade do ensino e o aumento no custo de vida.

O Ministério do Interior condenou o que classificou como "atos de violência direcionados" e acusou alguns manifestantes de tentativas de saques e de ataques à polícia. Em Marselha, um grupo chegou a invadir a prefeitura, mas foi retirado pelas forças de segurança. Em Paris, Bordeaux e Lyon, a polícia usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Em uma das manifestações, jovens disseram ao correspondente da BBC News que são "pacifistas" e que estão "apenas tentando promover mudanças".

Os episódios ocorrem após três semanas de protestos liderados por estudantes, com apelos para que sindicatos e os "coletes amarelos" se juntassem às manifestações. O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu "calma" e instou os manifestantes a demonstrarem "respeito pelas pessoas e pelo patrimônio". Durante a semana, o ministro Sébastien Lecornu afirmou que a indignação dos estudantes estaria sendo manipulada pelo partido de esquerda "A França Insubmissa", liderado por Jean-Luc Mélenchon, acusando a legenda de instrumentalizar o movimento estudantil para obter vantagem eleitoral. O ministro da Educação, Édouard Geffray, pediu que "a violência precisa acabar" e defendeu que "apenas o diálogo" poderá resolver a questão.

Para o correspondente da BBC News em Paris, Hugh Schofield, a pergunta central é se os protestos representam apenas mais uma manifestação, algo frequente no país, ou se há algo mais profundo em curso. Ele observa que o movimento repete um padrão conhecido — a causa, a marcha, a destruição, o gás lacrimogêneo, as prisões e as denúncias de brutalidade policial —, mas aponta fatores que poderiam tornar o período de 2026-2027 um momento histórico: a incapacidade de ação do governo centrista, a desilusão generalizada com a política, a crise da dívida, o empobrecimento provocado pela inflação, a ascensão dos extremos, a guerra na Europa e as eleições presidenciais marcadas para abril e maio.

Nas ruas de Paris, manifestantes relataram à BBC News que "todas as gerações" estão presentes para expor problemas e que a mobilização dá força para continuar. Um deles disse estar "lutando contra a ascensão de políticas extremistas", enquanto outro descreveu o grupo como "pacifista" e afirmou que os participantes estão "simplesmente cansados de tudo isso". Em postagens no X, Mélenchon escreveu que, enquanto canais de notícias exibem imagens de violência, "tudo se desenrola com calma", com dezenas de milhares de pessoas mobilizadas.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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