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'Presenciei quase 500 execuções de presos – e nunca vi uma como a de Christa Pike'

Atualizado em 03/10/2026 às 21:20 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O repórter Michael Graczyk acompanhou quase 500 execuções de presos no Texas ao longo de sua carreira e continuou cobrindo o tema mesmo depois de se aposentar da Associated Press (AP), em 2018. Ele recorda de dois casos em que as agulhas saíram e precisaram ser reinseridas para concluir o procedimento, mas nunca havia presenciado uma execução em que o condenado sobrevivesse — até o caso desta semana no Tennessee.

Christa Pike, de 50 anos, continuou respirando e roncando alto após receber duas doses de pentobarbital, o barbitúrico usado no protocolo de injeção letal do estado. Segundo a AP, o protocolo do Tennessee prevê um segundo conjunto de seringas com a substância caso a pessoa não morra com o primeiro, mas não define o que fazer se o preso permanecer vivo depois disso. O governador Bill Lee suspendeu as execuções no estado após a falha na noite de quarta-feira (30/9) e determinou uma revisão independente dos procedimentos. No sábado (3/10), o chefe do sistema prisional do Tennessee foi retirado do cargo.

Graczyk, de 76 anos, disse à BBC News que não ficou totalmente surpreso com o episódio e que já havia considerado essa possibilidade ao longo de décadas de trabalho. "Para mim, era só uma questão de tempo", afirmou. Ele lembrou que, no Texas, nunca viu uma execução falhar depois de a injeção ser aplicada.

Pike está agora em um hospital, onde recebe "cuidados para salvar sua vida", segundo seu advogado. A vítima do caso foi Colleen Slemmer, uma jovem de 19 anos, natural da Flórida, torturada e morta por Pike, então com 18 anos, e pelo namorado dela à época, Tadaryl Shipp, depois que os três se conheceram em um campo de capacitação profissional. A mãe de Slemmer, May Martinez, estava no Tennessee na quarta-feira para a tentativa de execução e disse à NBC News que "foi uma bagunça".

Segundo o Death Penalty Information Center, centro de estudos que não se posiciona nem contra nem a favor da pena de morte, uma execução malsucedida é aquela com "problemas ou atrasos inesperados que causaram, ao menos possivelmente, sofrimento desnecessário ao preso, ou que refletem grave incompetência do executor". A organização reuniu uma lista de 64 execuções malsucedidas desde 1982, das quais 51 foram por injeção letal. Em pelo menos sete desses casos, as execuções foram interrompidas porque não foi possível inserir a via intravenosa. De acordo com o centro, houve 1.683 execuções nos Estados Unidos desde 1976, quando a Suprema Corte restabeleceu a pena de morte. O Texas realizou 602 delas e, em 1982, tornou-se o primeiro estado a usar a injeção letal para executar pessoas.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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