'Razão e Sensibilidade': 4 erros das adaptações de Jane Austen, segundo especialistas
As obras de Jane Austen (1775-1817) seguem sendo readaptadas com frequência. Neste ano, chegam duas novas produções: uma versão cinematográfica de Razão e Sensibilidade, dirigida por Georgia Oakley e que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta (15/10), e uma série de TV baseada em Orgulho e Preconceito. Segundo especialistas ouvidos pela BBC, nenhuma adaptação consegue ser totalmente fiel ao texto original — e alguns erros se repetem.
1. Foco no romance de conto de fadas
Para a pesquisadora Kathryn Sutherland, da Universidade de Oxford, Austen é uma romancista psicológica e se concentra muito mais na heroína do que no romance. Suas protagonistas são mulheres imperfeitas que enfrentam desafios morais e obstáculos sociais, independentemente do interesse amoroso. A professora Sandie Byrne, também de Oxford, lembra que Austen sabia que precisava do "felizes para sempre" para vender livros, mas não fazia do beijo, do pedido ou do casamento o clímax de suas histórias. Elevar o romance a roteiro principal pode fazer as adaptações ignorarem a crítica de classes e a realidade financeira precária das mulheres da era da Regência Britânica (1795-1837).
2. Erros de figurino, cabelo e dentes
O trailer do novo Razão e Sensibilidade gerou questionamentos de fãs sobre a ausência de gorros: Elinor (Daisy Edgar-Jones) e Marianne Dashwood (Esmé Creed-Miles) aparecem com longos cabelos soltos. Segundo Byrne, na era da Regência apenas meninas muito jovens usavam cabelos soltos; as mais velhas usavam gorros rigorosamente, como sinal de amadurecimento. A professora Juliette Wells, do Goucher College, critica "os cabelos, os dentes e os corpos moldados em academias do século 21". Ela destaca que poucos personagens de Austen são descritos com bons dentes e que atores dentro dos padrões de beleza atuais não coincidem com retratos historicamente precisos.
3. Linguagem e ritmo ausentes
Austen é conhecida pelos diálogos espirituosos e pela narração onisciente. "Lemos pela ironia, pelo humor, pela sátira", diz Byrne. Capturar essa sofisticação verbal na tela é um desafio, e Austen não é uma romancista muito visual: ela incentiva o leitor a ouvir, não a ver. Segundo Sutherland, as adaptações costumam seguir o estilo romântico visual de Charlotte Brontë (1816-1855), e o cinema tem silenciado cada vez mais as conversas. Wells afirma que nenhuma adaptação consegue transmitir o prazer da escolha meticulosa de palavras de Austen, e que o ritmo lento da autora nem sempre atende às exigências da tela grande.
4. Elenco glamouroso demais
Nas adaptações, alguns atores foram considerados velhos demais para seus personagens — caso de Alan Rickman (1946-2016), segundo o material disponível. Os detalhes completos desse ponto não constam no trecho disponível da reportagem original.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação