Renda fixa valorizou demais após o 1º turno? Veja cenários para o 2º e o que fazer
Quem comprou um título prefixado no Tesouro Direto na sexta-feira (2), antes do primeiro turno das eleições, viu o papel se valorizar em poucos dias. O DI para janeiro de 2031, termômetro desses títulos, caiu de 13,92% no dia 2 para 12,25% no dia 9, depois que Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente do presidente Lula (PT). Parte desse ganho, porém, já foi devolvida: na terça-feira (13), pesquisas mostraram empate técnico no segundo turno, cenário que se repetiu nos levantamentos da Quaest e do Datafolha ao longo da semana, e a taxa voltou a subir. Nesta sexta-feira (16), o DI jan/31 operava em 12,78%, devolvendo cerca de um terço da queda.
Para Fernando Benavenuto, sócio da Anvex Capital, houve uma "reprecificação eficiente" de um prêmio que estava muito carregado. Pelas contas dele, entre 100 e 120 pontos-base da queda até o dia 8 correspondem ao prêmio eleitoral. O restante vem do exterior, de ajustes técnicos de posição e de uma revisão marginal das expectativas para a Selic. "Um movimento que se reverte com pesquisa é, por definição, prêmio eleitoral", diz. Até o segundo turno, segundo ele, a curva deve reagir a praticamente cada nova pesquisa. Se os levantamentos passarem a favorecer Lula, o DI jan/31 tende a voltar para perto de 13,90%.
Gabriel Magno, sócio da AW Capital, vai além e atribui todo o movimento à eleição, estimando que o mercado dá de 90% a 95% de chance de vitória a Flávio. Benavenuto discorda da estimativa e avalia que, no nível atual, a curva está mais perto do cenário otimista, mas longe de dar a eleição como decidida. "A curva não precifica 80% ou 90% de probabilidade", afirma. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, prefere não cravar se houve exagero, mas lembra que a ponta longa da curva, mais sensível ao risco fiscal e político, foi a que mais caiu. Na segunda-feira após o primeiro turno, a Selic terminal de 2027 projetada pela curva caiu de 13,50% para 12,50%.
Os três especialistas concordam que a curva precifica a expectativa de ajuste, e não um ajuste pronto. Benavenuto ressalta que o mercado passou a acreditar que as contas vão melhorar, mas ainda não precificou o tamanho do esforço necessário para controlar a dívida. "O mercado comprou a promessa de austeridade, ainda não a entrega", afirma. Sung acrescenta que um eventual novo governo terá uma "lua de mel" de seis a nove meses com o mercado, que precisa ser usada para aprovar a pauta fiscal no Congresso.
Nos cenários traçados para depois do segundo turno, uma vitória de Flávio com equipe e regra fiscal críveis levaria o DI jan/31 para entre 11,50% e 12,00% nas semanas seguintes, na projeção de Benavenuto; de 11,00% a 11,50% no curto prazo, rumo a um dígito com o ajuste feito, segundo Magno. Se o fiscal decepcionar, Benavenuto prevê devolução da maior parte da queda ao longo de semanas a meses, enquanto Magno fala em volta rápida para 13,00% a 13,50%. Numa reeleição de Lula, Benavenuto avalia que a alta seria maior que a queda, com a curva abrindo além dos 13,90% de antes do primeiro turno. Para quem precisa decidir antes do dia 25, travar prefixado ou IPCA+ longo agora é uma aposta direcional no cenário favorável; esperar no pós-fixado evita o risco de marcação, mas pode significar perder parte da queda dos juros; e fracionar os aportes dilui o preço médio.
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