Roubo de 30 mil garrafas em vinícola italiana pode ser o maior da história do vinho
Ladrões encapuzados levaram cerca de três horas, em uma noite de sábado, para esvaziar o depósito da vinícola Marchesi Antinori, em Cortona, na Toscana, na Itália. Foram aproximadamente 30 mil garrafas de alguns dos vinhos mais cobiçados do país, segundo informações divulgadas pela empresa.
O sistema de alarme não disparou. De acordo com Lorenzo Vivoli, do departamento de comunicação da Antinori, os alarmes haviam sido desativados de dentro do prédio na véspera do roubo. "Foi como se eles já soubessem de tudo", afirmou. Os criminosos chegaram em dois caminhões e encontraram as garrafas já embaladas, prontas para envio aos mercados de exportação.
Segundo Vivoli, foram levadas cerca de 10 mil garrafas de cada um dos rótulos Tignanello, Solaia e Guado al Tasso, todos da safra de 2023. Considerando preços médios de varejo nos Estados Unidos, o lote roubado vale aproximadamente US$ 8,2 milhões (cerca de R$ 45 milhões). Para os mercados europeus, a Antinori estimou o prejuízo em cerca de € 5 milhões (aproximadamente R$ 32 milhões). Qualquer uma das estimativas tornaria este o roubo único de vinho ou destilados mais valioso já registrado, segundo a reportagem.
"É o maior roubo da história do vinho", disse Vivoli. "Nunca houve nada dessa magnitude." O CEO da Antinori, Renzo Cotarella, classificou o caso como um roubo sem precedentes para a indústria do vinho na Itália, realizado por um grupo "claramente altamente organizado e muito bem preparado". A empresa ainda não sabe como os alarmes foram desativados, e a investigação policial continua. Nenhum suspeito foi identificado e ninguém foi preso até o momento. A Antinori possui imagens de câmeras de segurança, mas a polícia pediu que não fossem divulgadas enquanto a investigação estiver em andamento.
Os mesmos vinhos são alvo de falsificadores há anos. Em 2019, a polícia italiana prendeu três pessoas envolvidas em um esquema que vendia ao menos 11 mil garrafas falsificadas de Tignanello na Itália, Alemanha e Bélgica. Para combater as falsificações, a Antinori marca suas garrafas desde a safra de 2013 e, desde 2016, inclui um selo que pode ser escaneado pelo celular para verificar a autenticidade. O sistema, porém, não rastreia o destino dos produtos. "Eles não nos ajudam a localizar as garrafas roubadas", disse Vivoli.
A empresa aposta na dificuldade de comercializar um lote tão grande e está alertando parceiros e clientes nos 170 países para os quais exporta sobre ofertas feitas fora dos canais oficiais. "Uma quantidade de cerca de 30 mil garrafas é difícil de movimentar e recolocar no mercado sem deixar rastros", afirmou Cotarella. Para Vivoli, o dano emocional supera a perda financeira, já que algumas famílias trabalham na empresa há cinco gerações. "É um golpe no coração."
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Por Redação