Senado dos EUA identifica uso de criptomoedas pelo Irã para burlar sanções
Uma investigação do Senado dos Estados Unidos, divulgada nesta segunda-feira (28), aponta que o regime do Irã utiliza criptomoedas atreladas ao dólar para movimentar recursos fora do sistema bancário tradicional. Segundo o relatório, o esquema permite que Teerã contorne sanções internacionais e financie grupos aliados, como o Hezbollah, além de viabilizar a compra de drones e equipamentos militares de forma clandestina.
Os investigadores americanos analisaram 846 carteiras digitais ligadas ao Irã e a organizações apoiadas pelo regime. A grande maioria das transações ocorre em USDT, uma criptomoeda do tipo stablecoin, cujo valor é sempre igual a um dólar. Por não passar pelas transferências bancárias internacionais padronizadas, o governo iraniano consegue enviar e receber quantias bilionárias sem ser detectado imediatamente, garantindo recursos para o seu Banco Central e para o setor militar.
Diferente do bitcoin, que oscila de preço constantemente, o USDT oferece estabilidade por estar pareado com a moeda americana. Para o Irã, isso é fundamental porque permite manter uma referência de valor segura em dólar mesmo sob severas restrições econômicas impostas pelos Estados Unidos. O relatório do Senado aponta que essa estrutura digital não serve apenas para equilibrar a economia interna, mas também conecta o dinheiro do regime a grupos apoiados por Teerã no Oriente Médio, facilitando o apoio logístico e financeiro a esses aliados.
O senador Richard Blumenthal e outros parlamentares criticam a Tether, empresa que emite o USDT, por não ter sido ágil o suficiente no bloqueio de atividades ilícitas. O relatório afirma que, antes de 2024, a companhia falhou em congelar de forma consistente os endereços digitais identificados por autoridades de combate ao terrorismo. Por isso, os senadores pediram que os departamentos de Justiça e do Tesouro do governo Donald Trump investiguem se a Tether está cumprindo as leis contra lavagem de dinheiro e as sanções impostas pelos Estados Unidos a países rivais.
O governo dos EUA intensificou a ofensiva contra plataformas digitais iranianas. O Departamento do Tesouro já aplicou sanções contra a Nobitex, a maior corretora do Irã, e a plataforma BitBank, acusadas de processar bilhões de dólares para a Guarda Revolucionária. A Tether defende sua atuação, afirmando que bloqueou quase US$ 550 milhões em ativos ligados ao Banco Central iraniano apenas em 2026. A empresa alega que, por usar a tecnologia blockchain, as transações são rastreáveis e que coopera com a polícia quando recebe informações confiáveis.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação