Starlink pode virar 4ª operadora do Brasil? TIM e Vivo caem após movimento da gigante
A SpaceX, controladora da Starlink, fechou na última quinta-feira (8) um acordo para adquirir um portfólio nacional de espectro de banda baixa nos Estados Unidos. Segundo a companhia, a operação permitirá que a rede de internet via satélite de sua subsidiária se transforme em uma importante operadora de telefonia móvel no mercado americano, representando um desafio direto às gigantes do setor.
O movimento repercutiu negativamente nas ações de telecomunicações. A T-Mobile US chegou a registrar queda de quase 11%, enquanto AT&T recuou mais de 7% e a Verizon teve baixa superior a 7%. No Brasil, o efeito foi sentido na B3: Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) registraram as maiores baixas do Ibovespa em um dia positivo para a Bolsa brasileira. Nesta sexta-feira (9), VIVT3 caiu 5,25%, a R$ 30,35, e TIMS3 teve baixa de 4,18%, a R$ 18,10.
A operação americana reacendeu entre investidores do setor a discussão sobre a possibilidade de a empresa de Elon Musk replicar no Brasil a estratégia de telefonia móvel que começa a ser construída nos EUA. Em relatório divulgado nesta sexta-feira, o UBS BB avalia que ainda não há resposta conclusiva. O banco afirma ver evidências robustas de que a companhia está expandindo iniciativas de conectividade móvel no Brasil por meio da Starlink, mas não encontra sinais concretos de que a SpaceX tenha decidido reproduzir no país o modelo completo de operadora móvel em montagem nos Estados Unidos.
Segundo o UBS BB, o Brasil é um caso particularmente relevante por estar entre os maiores mercados da Starlink no mundo e provavelmente figurar entre os três mais importantes globalmente. O banco aponta que o país já possui a constelação da Starlink em operação e iniciativas ligadas ao uso de espectro para comunicação móvel via satélite, mas ainda carece de espectro terrestre de baixa frequência, de espectro voltado à capacidade de rede, de infraestrutura terrestre e de um modelo integrado de operadora móvel. Entre os temas regulatórios monitorados, o mais importante é o processo envolvendo a faixa de 850 MHz, que seria o equivalente mais próximo, no Brasil, ao papel do espectro de 800 MHz recém-adquirido pela SpaceX nos EUA.
O banco ressalta que não existe barreira regulatória óbvia que impeça a SpaceX de participar de futuros leilões promovidos pela Anatel, desde que atenda aos requisitos exigidos dos demais participantes. Ainda assim, avalia que a rota mais provável continua sendo baseada em parcerias com operadoras locais, em modelo semelhante ao acordo original entre Starlink e T-Mobile. O UBS BB afirma não ter identificado evidências de que a SpaceX tenha manifestado interesse em leilões de 850 MHz, solicitado espectro móvel terrestre, anunciado planos de rede terrestre ou pretenda competir diretamente com Vivo, TIM ou Claro. A transformação da empresa em uma quarta grande operadora nacional, portanto, segue como cenário possível, e não como estratégia comprovada.
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Por Redação