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Temporada de balanços nos EUA terá régua mais alta e menos surpresas, diz XP

Atualizado em 12/10/2026 às 08:20 schedule 4 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A temporada de resultados do terceiro trimestre de 2026 nos Estados Unidos começa sob um cenário mais desafiador para empresas e investidores. Em relatório, a XP projeta crescimento de cerca de 31% no lucro por ação (LPA) agregado das companhias do S&P 500 na comparação anual, desempenho ligeiramente superior à expectativa do mercado, estimada em 29% na mesma base. A casa alerta, porém, que a elevação das estimativas ao longo dos últimos meses reduziu a margem para surpresas positivas.

A XP espera que o lucro por ação das empresas do índice alcance US$ 91 no terceiro trimestre, avanço de 31,4% sobre o mesmo período do ano passado e 1,6% acima do consenso de mercado. O desempenho segue impulsionado principalmente pelos segmentos de tecnologia e energia, que lideraram as revisões positivas nas projeções ao longo do trimestre.

Segundo os estrategistas da XP, o comportamento das estimativas neste trimestre fugiu do padrão histórico. Normalmente, as empresas adotam tom mais conservador em seus guidances, o que leva analistas a reduzirem suas projeções antes da divulgação dos resultados. Desde 2022, o corte médio nas estimativas para o terceiro trimestre costuma ser de aproximadamente 2,6%. Desta vez, ocorreu o movimento oposto: o lucro esperado para o S&P 500 avançou ao longo do ano, refletindo a incorporação de fatores como o ciclo favorável para semicondutores e memória relacionada à inteligência artificial, além da forte recuperação dos preços do petróleo.

Os analistas afirmam que as revisões positivas por empresa começaram a perder fôlego em setembro, sinal de que o otimismo está cada vez mais concentrado em poucos nomes. A projeção de lucro por ação para o período passou de US$ 80, no fim de 2025, para US$ 89,55 às vésperas da temporada de balanços. Na prática, boa parte da melhora operacional esperada já está refletida nas estimativas atuais. Por esse motivo, a XP avalia que o debate do mercado neste trimestre deverá ser diferente do tradicional: mais importante do que superar as projeções de lucro será a capacidade das companhias de sustentar perspectivas futuras compatíveis com os níveis atuais de valuation.

O cenário macroeconômico contribuiu para elevar o grau de exigência dos investidores. O trimestre foi marcado pelo aumento das tensões geopolíticas globais, que impulsionaram o petróleo para patamares superiores a US$ 100 por barril, enquanto os juros de longo prazo dos Estados Unidos voltaram aos maiores níveis observados em décadas. Outro fator relevante foi a decisão do Federal Reserve de elevar a taxa básica de juros pela primeira vez em mais de três anos, mesmo diante de sinais de desaceleração gradual do mercado de trabalho americano.

Apesar desse pano de fundo mais restritivo, o S&P 500 acumulou valorização de 2% durante o trimestre. Por trás do desempenho positivo, a XP observa deterioração significativa da amplitude do mercado. A versão com pesos iguais do índice registrou queda de 2,3% no período, e a ação mediana recuou 4,4%, evidenciando que os ganhos ficaram concentrados em um grupo restrito de companhias. Cerca de 60% das empresas do índice negociam mais de 20% abaixo de suas máximas históricas.

Diante desse contexto, a casa acredita que a temporada de resultados deverá aumentar a dispersão entre os desempenhos das ações. Com a régua mais alta, margens próximas dos recordes históricos e expectativas já bastante otimistas, os resultados individuais tendem a ter peso maior sobre o comportamento dos papéis. Para a XP, o ambiente favorece uma postura mais seletiva dos investidores, especialmente em um mercado que continua dependente dos investimentos em inteligência artificial, dos preços elevados do petróleo e da capacidade das empresas de sustentar crescimento em meio a condições macroeconômicas mais desafiadoras.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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