Título de infra isento de IR passa a pagar mais e vira aposta após a eleição
Os juros pagos pelas debêntures de infraestrutura, que se destacaram na renda fixa nos últimos dois anos pela isenção de imposto de renda, caíram na semana passada após o primeiro turno da eleição presidencial, acompanhando o movimento das NTN-Bs (Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais). Apesar da queda, o spread — a diferença entre os papéis privados e os títulos do governo — aumentou e passou a chamar a atenção de gestores e analistas, que veem uma oportunidade de entrada para o investidor.
Segundo a Vitrify, plataforma de dados de crédito privado, a taxa média de 213 debêntures incentivadas corrigidas pelo IPCA passou de 8,64% em 2 de outubro para 8,08% em 8 de outubro, queda de 0,56 ponto percentual. Os juros das NTN-Bs recuaram mais, 0,75 ponto, o que fez o spread médio em relação ao título do Tesouro de mesmo prazo subir de 1,08 para 1,27 ponto percentual. A vantagem para o investidor é maior do que os números indicam, já que o papel privado não paga imposto de renda.
Outro levantamento, com metodologia diferente, mostra o mesmo movimento. Na semana passada, o IDEX Infra, índice da IDEX Analytics, da Leto Capital, registrou spread médio de 1,19 ponto percentual nas debêntures de infraestrutura e superou, pela primeira vez desde 2021, o spread das demais debêntures medido pelo IDEX CDI, de 1,14 ponto, segundo Antônio Pedro Teixeira, sócio e gestor de portfólios da Leto. Ou seja, mesmo isentas, as debêntures de infraestrutura passaram a pagar um prêmio maior que o das demais. Teixeira ressalta que a vantagem é ainda maior, pois os índices não consideram a isenção de imposto sobre o rendimento.
Em relatório, a Panamby Capital afirma que os juros desses títulos já estavam em patamar atrativo mesmo antes da piora recente e agora chamam ainda mais atenção. A gestora acrescenta que, apesar do técnico desfavorável no curto prazo, o nível de taxas dos títulos isentos é atrativo e configura um bom ponto de entrada.
Para Ricardo Ara, gestor da Legacy Capital, a alta dos spreads e a parada quase total das emissões primárias nos últimos meses têm as mesmas causas. Ele estima que o ano pode fechar com menos de R$ 100 bilhões em emissões primárias de debêntures de infraestrutura, queda de mais de 50% em relação a 2025 e 2024. Até agosto, segundo dados da Anbima, foram emitidos R$ 72,8 bilhões em debêntures incentivadas, 25% menos que no mesmo período do ano passado. Só em agosto, foram R$ 170 milhões.
O primeiro fator apontado por Ara são os resgates dos fundos de infraestrutura, que eram os maiores compradores desses ativos. Esses fundos captaram R$ 9,6 bilhões no ano até agosto, ante R$ 68 bilhões no mesmo período de 2025, e registraram resgates de abril a julho, com saída líquida de R$ 19,1 bilhões no período, segundo a Anbima. O segundo fator é que muitas empresas anteciparam a necessidade de emissão no ano passado, para fugir do ano eleitoral e aproveitar os spreads baixos, o que reduziu a oferta neste ano. Mais recentemente, pesou o cenário externo, com a forte alta dos juros americanos.
Ara espera que os spreads se estabilizem com a definição da eleição e um cenário melhor para as empresas, com juros mais baixos e maior previsibilidade. Ele afirma que, depois desta grande abertura recente dos spreads, os níveis das debêntures incentivadas de alguns emissores já estão maiores que os das emissões não incentivadas, o que deve atrair compra. Em um cenário de queda dos juros, o gestor vê como muito atrativos os fundos de infraestrutura que não trocam a remuneração atrelada ao IPCA pelo CDI, pois capturam o ganho de capital da marcação a mercado dos títulos antigos, sem o imposto.
Os investidores em debêntures de infraestrutura estão mais rigorosos e adotam premissas mais conservadoras diante dos problemas nos setores de energia, saneamento e rodovias, explica Fernando Biral, sócio sênior da MAPA Capital. Há maior preocupação em testar modelos e checar a demanda em rodovias, a execução das obras e cláusulas de desempenho, como a restrição de dividendos em caso de endividamento excessivo. Segundo Biral, o mercado não está fechado, até porque tem investidores cativos, mas há maior rigor e uma reprecificação das taxas. Ele lembra que, no fim do ano passado, as debêntures de infraestrutura chegavam a pagar menos que a NTN-B e hoje chegam a pagar 0,80 ponto percentual acima nos papéis de menor risco, com isenção de imposto de renda.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação