Um encontro que atrai e fascina
O Dicastério para a Doutrina da Fé divulgou o documento “Vinde a Mim. Considerações sobre a transmissão da fé em uma mudança de época”, que reflete sobre como anunciar o Evangelho no contexto atual e busca oferecer material de reflexão pastoral para que cada Igreja local encontre novos caminhos para a transmissão da fé.
O texto parte de uma constatação: nas terras de antiga evangelização, o anúncio cristão vem perdendo força. Segundo o documento, a questão não é recente. A necessidade de falar novas linguagens para apresentar a fé está na base do Concílio Ecumênico Vaticano II, nascido da intuição de João XXIII e levado a bom termo por Paulo VI, que na Ecclesiam suam explicou que a Igreja se aproxima do mundo contemporâneo tornando-se “palavra, mensagem, colóquio”, na convicção de que o Evangelho deve ser oferecido por meio de uma relação de escuta e de encontro.
O documento observa que o processo de secularização já estava em andamento nas décadas anteriores ao Concílio. Como exemplo, cita a experiência de Giovanni Battista Montini, que em meados da década de 1950 deixou a Roma das reuniões em torno de Pio XII para se estabelecer na Milão em franca expansão, onde setores significativos da sociedade começavam a demonstrar desinteresse distante pela fé e pela prática religiosa. Todo o episcopado milanês e, posteriormente, todo o pontificado de Montini foram marcados pela pergunta sobre como anunciar o Evangelho às mulheres e aos homens de hoje, que parecem cada vez mais distantes.
De acordo com o Dicastério, essa questão se torna mais premente no momento histórico atual, caracterizado pela “soberania do eu”, pelo desmoronamento progressivo das relações interpessoais e pela mediação do mundo digital, que altera quase “geneticamente” o DNA dos seres humanos em relação uns aos outros. Tanto os países mais ricos e secularizados quanto os em desenvolvimento se perguntam como transmitir a fé hoje. O texto chama a atenção por citar contribuições e reflexões de diversas Conferências Episcopais.
A resposta apontada pelo documento é voltar ao kerygma, ou seja, ao anúncio do essencial da fé, na consciência de que as referências aos valores morais e os apelos aos princípios cristãos não podem pressupor o que vem antes: o encontro com Cristo. Para transmitir a fé hoje, não basta ensinar um conjunto de conteúdos doutrinários, nem confiar a transmissão ao marketing ou a estratégias pastorais elaboradas em teoria. O texto destaca a necessidade de testemunhas que revelem a beleza da vida cristã e de comunidades vivas, que introduzam crianças e adultos à experiência de fé, valorizando mais a liturgia, a piedade popular, a arte e a música.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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