Vitória de Flávio trocaria influência da China por EUA. O que isso significa?
A vantagem obtida por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições deste domingo (5) e a maioria conservadora no Congresso colocam o Brasil em posição de destaque no xadrez geopolítico da América Latina, segundo análise de think tanks internacionais que acompanham a política regional. A avaliação é de que o país caminha para as fileiras das nações sob influência dos Estados Unidos, mais especificamente de Donald Trump, e se afasta da China, ao menos no campo político.
A Chatham House avalia que uma vitória de Flávio Bolsonaro criaria mais um governo sul-americano alinhado à administração Trump, somando-se a uma lista de líderes próximos da Casa Branca na Colômbia, Venezuela, Paraguai, Argentina, Chile, Peru, República Dominicana e Equador. Para Christopher Sabatini, diretor do Programa América Latina da entidade, uma presidência do candidato do PL provocaria uma reviravolta em agendas de política externa e desencadearia, "se não uma retirada, ao menos um papel significativamente reduzido" do Brasil no BRICS. Ele cita ainda o risco de afastamento de fóruns como ONU, G20 e COP.
Sabatini pondera, no entanto, que não está claro se um novo governo Bolsonaro representaria um triunfo para a chamada "Doutrina Donroe" de Trump, já que um alinhamento não ocorreria necessariamente na área comercial. Segundo ele, um eventual governo do candidato do PL hesitaria em reduzir o comércio com a China, maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, e Pequim poderia tentar diminuir suas importações brasileiras caso o país se afaste demais.
A Brookings também vê uma vitória de Flávio Bolsonaro como grande triunfo para Trump, lembrando que, desde julho de 2025, os EUA impuseram tarifas pesadas sobre exportações brasileiras. Para o think tank, o Brasil representa "o grande prêmio" na sequência de aliados de direita que chegam ao poder na região, e um retorno de um Bolsonaro ao poder seria decisivo para realinhar as nações latino-americanas à agenda "America First". O texto aponta que a defesa da democracia, dos direitos humanos, do Estado de Direito e da proteção ambiental seriam deixadas de lado, e que o candidato do PL poderia ceder em prioridades como o acesso preferencial a minerais críticos.
O Council on Foreign Relations (CFR) destaca que Lula e Flávio Bolsonaro apresentam visões diferentes para a política externa brasileira, que historicamente enfatizou a diplomacia e o multialinhamento. Enquanto Lula aproximou o Brasil da China desde 2023, com dezenas de acordos e a elevação da parceria bilateral a uma "comunidade com um futuro compartilhado", a agenda de Flávio defende laços mais fortes com os EUA. Segundo o CFR, se ele vencer a eleição, o Brasil poderá buscar participar da iniciativa de segurança regional Escudo das Américas, da administração Trump, à qual Lula se recusou a aderir.
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Por Redação