Zuckerberg ameaça deixar a Califórnia, e Meta monta plano para segurá-lo
A Meta fechou um acordo incomum com seu CEO, Mark Zuckerberg, para mantê-lo vinculado à empresa e à Califórnia. A companhia concederá ao fundador ações sem direito a voto, que poderão ser vendidas para cobrir uma eventual conta tributária de vários bilhões de dólares sem que ele perca o controle da companhia.
Em troca, Zuckerberg se comprometeu a permanecer na Califórnia — ou onde quer que a Meta mantenha sua sede — pelos próximos oito anos, enquanto continuar exercendo o cargo de CEO em tempo integral. O acordo e as negociações foram descritos em documento divulgado na quarta-feira.
O movimento responde à chamada Proposição 40, proposta que prevê a cobrança extraordinária de 5% sobre pessoas com patrimônio superior a US$ 1 bilhão a partir de 1º de janeiro de 2026 e que será submetida a votação em novembro. Segundo a Meta, o imposto poderia resultar em uma cobrança de vários bilhões de dólares para Zuckerberg e possivelmente obrigá-lo a vender parte das ações com direito a voto que sustentam seu controle sobre a empresa. O tema surgiu em julho, quando o CEO alertou que a medida poderia reduzir sua participação com direito a voto para menos de 53%. Poucas semanas depois, seus advogados enviaram carta ao comitê especial do conselho informando que ele considerava deixar a Califórnia.
Um comitê especial responsável pelas negociações afirmou que a presença de Zuckerberg na sede é "criticamente importante", especialmente diante da corrida pela liderança em inteligência artificial, que o mantém trabalhando de perto com a equipe da Meta Superintelligence Labs. O grupo também lembrou as dificuldades enfrentadas durante a pandemia, quando o CEO estava fisicamente distante da equipe de gestão, e afirmou que deseja evitar problemas semelhantes.
Pelo acordo, Zuckerberg poderá vender imediatamente 20% das novas ações Classe C sem direito a voto que receberá, o equivalente a cerca de 10% de sua participação econômica na empresa. Os 80% restantes ficarão inicialmente bloqueados, com restrições retiradas gradualmente ao longo de oito anos, desde que ele continue liderando a Meta. Durante a divulgação dos resultados trimestrais, a diretora financeira Susan Li afirmou que as novas ações funcionarão principalmente como instrumento de financiamento para os projetos de inteligência artificial da companhia.
A proposta enfrenta resistência. O governador Gavin Newsom se opõe à medida, e um grupo de bilionários já gastou cerca de US$ 300 milhões para tentar derrotá-la, liderado por Sergey Brin, cofundador do Google, que atualmente declara residência em Nevada. Políticos progressistas, como o deputado Ro Khanna, defendem a proposta. Já o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que estaria "perfeitamente bem" em pagar a taxa extraordinária. Segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, Zuckerberg, quinta pessoa mais rica do mundo, possui fortuna estimada em US$ 247 bilhões.
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