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A história de como uma sobrevivente de violência sexual do século 15 buscou justiça

Por Redação
Atualizado em 31/10/2026 às 19:55 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Um novo livro resgata a trajetória de Jehanne, uma mulher praticamente desconhecida em Dijon, na França, que no inverno de 1472 foi vítima de um ataque brutal quando estava em estágio avançado de gravidez. A obra Justiça para Jehanne, da historiadora Sara McDougall, reconstrói a investigação aberta na época a partir de registros preservados no arquivo municipal da cidade e questiona ideias preconcebidas sobre como a sociedade medieval tratava sobreviventes de violência sexual.

Nascida na Lorena, no nordeste francês, em uma família humilde, Jehanne havia se deslocado para o sul até Dijon. Em 1472, declarou ao investigador ter "cerca de 32 anos" — como os nascimentos não eram registrados, ninguém podia saber a idade com exatidão. Ela afirmava ser casada e se apresentava como esposa de Jehan de Relanges. Segundo testemunhas, vestia-se com elegância, e o longo adereço que cobria os cabelos ao sair em público indicava seu status de mulher casada e respeitável.

O crime ocorreu na tarde de 3 de janeiro de 1472. Jehanne e a mulher que lhe dava hospedagem ouviram batidas fortes na porta: dois homens da região exigiam que as duas os acompanhassem. Diante da recusa, um deles buscou mercenários do duque em uma hospedaria próxima. Conforme o relato de Jehanne, os homens a arrastaram até um campo e a agrediram, gritando que não importava se ela estava grávida — tinham ouvido dizer que o filho que esperava era de um padre e, portanto, ilegítimo. Ela descreveu como tentaram ter "relações carnais" com ela enquanto resistia na neve; a gravidez avançada e a resistência impediram que isso acontecesse. Ela contou ter sido espancada, jogada de bruços e sentido terror pela saúde do bebê.

O caso foi registrado pelo investigador Jacques Borestel, que trabalhava para as autoridades municipais. Ele soube do sequestro e da agressão e começou a reunir informações sobre a vítima e os supostos autores. A primeira entrevista com Jehanne ocorreu no dia seguinte ao ataque, quando a encontrou na cama, abalada e preocupada com o bebê. Ela narrou os detalhes da agressão e forneceu todas as informações de que se lembrava sobre os atacantes. No dia seguinte, deu à luz uma menina.

Com os dados fornecidos por ela, Borestel capturou rapidamente a maior parte dos agressores. Nos interrogatórios, os homens negaram o ataque, e o investigador organizou um encontro frente a frente em que Jehanne reiterou sua versão. Sem confissões, as autoridades municipais recorreram a medidas "extraordinárias": um dos homens foi submetido a tortura por método semelhante à simulação de afogamento e, por fim, todos confessaram. A decisão de Jehanne de denunciar foi incomum, segundo a obra: a cidade não tinha um histórico exemplar de justiça criminal, e a maioria dos crimes ficava impune, de modo que ela tinha pouco a ganhar ao apresentar a denúncia.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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