A hora da responsabilidade
Papa Leão XIV no Meeting de Rimini: “oportunidade de reverter o curso” e “reacender sonhos e visões”
Em discurso aos participantes da 47ª edição do Encontro de Rimini, o Papa Leão XIV fez um apelo para que a cultura católica oponha ao “falso realismo, que rearma mentes, palavras e nações” o “realismo da misericórdia”. A declaração foi dirigida especialmente aos milhares de jovens que participam do evento, que tem origem na experiência de Comunhão e Libertação. Para o pontífice, neste realismo autêntico “não podem existir inimigos” e todos, “mesmo os adversários, são irmãos e irmãs que devem ser olhados nos olhos e encontrados na verdade”.
O Papa lembrou que, há 44 anos, São João Paulo II já havia falado no Meeting sobre a beleza de palavras como “encontro” e “amizade entre os povos” em momentos que definiu como “dramáticos da história do mundo”. Leão XIV destacou que a situação internacional atual é ainda mais incerta e precária, com um número crescente de conflitos, massacres contínuos de civis e crianças — citando Gaza e Ucrânia — e muitas nações investindo cada vez mais em rearmamento. Diante desse cenário, ele afirmou que esta é “a hora da responsabilidade”.
Segundo o Papa, seguir a Cristo hoje, após as tragédias do século XX, implica a plena consciência de que o mal não se combate com o mal. A única resposta cristã seria o amor, descrito como “o método da redenção”, encarnado pelo Messias crucificado. Leão XIV pediu ainda pioneiros corajosos que se empenhem para libertar a convivência da desconfiança, o trabalho da idolatria do lucro e a tecnologia e as finanças do que chamou de “business da morte”. Ele também convocou a desmascarar “as injustas relações de poder” que estariam na origem da pobreza, das desigualdades, da guerra e dos desastres ambientais.
O pontífice convidou os participantes do Meeting a se colocarem em jogo, “alargando os vínculos para além de qualquer pertença demasiado restrita”. Para ele, o movimento, os grupos e as comunidades devem servir como um trampolim para mergulhar na realidade como um todo, combatendo o que afasta os fiéis dos irmãos de diferentes culturas, sensibilidades e origens, “especialmente dos mais pobres”. Leão XIV ressaltou ainda que, no amor, nunca há coação, doutrinação ou recrutamento, pois só há amor na liberdade, no diálogo vivo e no dom generoso de si mesmo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação