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A Ilha de Coiba, a brutal prisão a céu aberto que se tornou um paraíso natural e para onde o Panamá está enviando prisioneiros novamente

Por Redação
Atualizado em 01/11/2026 às 20:20 schedule 2 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O governo do Panamá transferiu 29 prisioneiros para a Ilha de Coiba, no Pacífico, em junho deste ano, após uma fuga massiva de uma grande prisão na capital. Em agosto, outras três pessoas foram levadas ao local. A informação é da BBC News Mundo, que visitou o arquipélago.

Coiba abriga o maior parque marinho da América Central. Somadas as áreas terrestre e marinha, o território protegido chega a 270.125 hectares e é considerado um gigantesco laboratório a céu aberto. A ilha foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco.

Entre 1919 e 2004, o arquipélago funcionou como colônia penal. Fundada durante a presidência de Belisario Porras com a intenção de ser autossustentável, a prisão submetia os detentos a longas jornadas em fazendas de gado e no desmatamento da selva, sem remuneração. A maioria vivia em acampamentos construídos por eles mesmos com galhos e folhas de palmeira. Mais de 20 assentamentos chegaram a ocupar 20% do território da ilha.

Durante a ditadura panamenha (1968-1989), opositores políticos foram detidos ali. O relatório da Comissão da Verdade do Panamá, publicado em 2002, reúne depoimentos de ex-prisioneiros que descrevem trabalho excessivo, espancamentos brutais, alimentação insuficiente e falta de assistência médica. O especialista Ezer Vierba, da Universidade de Yale, afirma que os militares que administravam a prisão "não respeitavam nenhum conceito de direitos humanos" e que havia punições equivalentes à tortura.

Narciso "Mali Mali" Bastidas, hoje com 63 anos, cumpriu dez anos em Coiba e atua como guarda-parques e assistente de pesquisa. Ele insiste em sua inocência e relata os maus-tratos que sofreu. Segundo ele, as décadas de prisão ajudaram a manter os ecossistemas da ilha quase intocados pela intervenção humana. O advogado Flavio Méndez, do Centro de Pesquisa Histórica e Antropológica do Panamá, afirma que "muitas pessoas" morreram no local, embora não existam números oficiais.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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