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Ações de Moraes na Polícia Federal acendem alerta sobre uso político da corporação

Por Redação
Atualizado em 13/09/2026 às 11:50 schedule 3 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O uso da atividade de inteligência da Polícia Federal virou centro de um embate entre os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e André Mendonça. No início de setembro de 2026, Moraes utilizou relatórios secretos para embasar uma investigação contra o colega, o que levantou preocupações de especialistas sobre desvio de finalidade da corporação e o risco de sua transformação em uma polícia política.

Segundo o material apurado, no dia 1º de setembro Moraes solicitou à Polícia Federal relatórios secretos que monitoravam Mendonça. Os documentos foram usados para acusar o ministro de condutas como improbidade administrativa e abuso de autoridade. A ação foi vista como reação à decisão de Mendonça de tornar pública uma investigação que sugeria que Moraes teria recebido valores para proteger um ex-banqueiro. O uso dos relatórios sem critérios técnicos de validação gerou críticas sobre falta de transparência e sobre a possibilidade de Moraes ter ordenado a produção do material.

Os relatórios produzidos pela PF em agosto continham, conforme a apuração, análises de caráter político e subjetivo. Eles sugeriam que o presidente Lula evitasse indicar Jorge Messias para o STF, sob o argumento de que ele e Mendonça teriam uma "matriz religiosa comum" e apoio de igrejas evangélicas. Para a inteligência da PF, essa proximidade faria Messias priorizar a relação com Mendonça em vez de proteger interesses do governo em casos sensíveis. Mendonça afirmou que esse nível de monitoramento sobre a vida privada e política de autoridades lembra distopias autoritárias.

A crise provocou decisões conflitantes no STF. Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência, Leandro Almada, além de proibir a criação de novos relatórios. O ministro Flávio Dino anulou o afastamento, e depois o presidente da Corte, Edson Fachin, invalidou ambas as decisões. Rodrigues se defendeu afirmando que apenas cumpriu ordens de Moraes ao enviar os documentos e que a atividade de inteligência serve para gerar conhecimento, não necessariamente provas para condenações judiciais.

O episódio reacende o debate sobre os limites da inteligência policial. Especialistas apontam que o setor existe para antecipar movimentos de organizações criminosas e proteger o Estado, mas que o problema surge quando passa a monitorar autoridades por convicções pessoais, religiosas ou posicionamentos políticos. No caso em questão, relatórios apócrifos — sem assinatura ou origem clara — foram usados para fundamentar investigações criminais entre ministros do Supremo, o que é considerado um desvio grave das funções institucionais.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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