Ações do Nubank despencam 10% em NY com notícias sobre compra de banco britânico
As ações do Nubank (BDR: ROXO34) recuaram 10% em Nova York nesta segunda-feira (28), em meio a notícias de que a instituição estaria em negociações preliminares para uma potencial aquisição do banco digital britânico Monzo. Os papéis caíram 10,01%, a US$ 12,23.
Segundo reportagem do site britânico Sky News publicada no sábado, sem citar fontes, o Monzo foi abordado sobre uma possível combinação de negócios com o Nubank, em operação que poderia avaliar o banco britânico entre 8 bilhões e 10 bilhões de libras esterlinas. A reportagem afirma que as negociações entre o Monzo e a Nu Holdings estariam em estágio relativamente inicial, embora a empresa britânica já tenha contratado banqueiros de investimento do Morgan Stanley e da Qatalyst para assessorá-la.
Analistas do JPMorgan afirmaram que, caso as negociações sejam confirmadas, a reação inicial dos investidores provavelmente seria negativa. Entre os fatores citados para essa reação estão o valuation elevado e o timing, com o Nubank sendo negociado perto de mínimas históricas em termos de múltiplos, a possível mudança de estratégia — saindo de um modelo baseado em crescimento orgânico para uma abordagem mais dependente de aquisições — e o risco de distração operacional, especialmente em relação às prioridades atuais no México, Estados Unidos e Colômbia, devido aos desafios de integração. "Nós ficaríamos surpresos", afirmaram os analistas.
A equipe do JPMorgan ponderou que o Monzo possui ativos valiosos, como escala operacional, grande base de depósitos, forte reconhecimento de marca e presença relevante em um mercado considerado escasso em oportunidades de aquisição. "Isso poderia acelerar a expansão global do Nubank, especialmente no Reino Unido."
Na visão de analistas do UBS BB, qualquer potencial transação estaria alinhada à estratégia de expansão global do Nubank e proporcionaria uma porta de entrada para o mercado do Reino Unido e, de forma mais ampla, para a Europa. O movimento também seguiria uma tendência observada entre outras fintechs globais, incluindo o Revolut, que tem ampliado sua presença internacional por meio da obtenção de licenças e de aquisições. Os analistas destacaram, porém, que o modelo de negócios do Monzo difere do Nubank, com menor foco em crédito e maior orientação para serviços de carteira digital, e que o risco de execução seria um fator importante a monitorar, especialmente considerando os esforços atuais do Nubank para escalar sua operação nos Estados Unidos, lançada recentemente.
O movimento das ações do Nubank também tem como pano de fundo o anúncio, na última sexta-feira, pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Desenrola Brasil 3.0, novo programa para ajudar pessoas endividadas, com foco em dívidas com atraso de 2 anos a 4,5 anos. Para a equipe do UBS BB, o anúncio é positivo para os bancos no curto prazo, embora possa aumentar o risco de "moral hazard" no longo prazo. Segundo os analistas, as instituições financeiras poderão monetizar carteiras de crédito já baixadas como prejuízo por meio de leilões promovidos pelo governo e, como esses empréstimos geralmente já foram integralmente provisionados ou baixados dos balanços, os recursos obtidos podem se converter em ganhos extraordinários. No longo prazo, porém, programas recorrentes de renegociação e refinanciamento de dívidas podem criar incentivos negativos para os tomadores, que podem passar a adiar o pagamento de suas obrigações na expectativa de aderir futuramente a um novo programa em condições mais favoráveis.
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Por Redação