Dólar hoje fecha a R$ 5,19, com exterior, em sessão negativa para ativos de risco
O dólar à vista encerrou a sessão desta quinta-feira em alta de 0,47%, cotado a R$ 5,1931 — o maior valor de fechamento desde 28 de agosto, quando havia marcado R$ 5,1961. No acumulado do ano, a divisa passou a registrar baixa de 5,39%. Às 17h04, o dólar futuro para outubro, atualmente o contrato mais negociado na B3, subia 0,52%, aos R$ 5,1985. No dólar comercial, a cotação ficou em R$ 5,181 para compra e R$ 5,182 para venda.
O movimento acompanhou o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, em uma sessão no geral negativa para os ativos de risco. A alta ganhou força no fim da manhã, em sintonia com o fortalecimento dos rendimentos dos Treasuries, diante de preocupações com a inflação nos Estados Unidos e da perspectiva de novas elevações de juros pelo Federal Reserve. Após marcar a mínima de R$ 5,1653 (-0,07%) às 10h03, o dólar à vista atingiu a máxima de R$ 5,2020 (+0,64%) às 12h49, momento em que as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) também se aproximavam das máximas do dia e o Ibovespa aprofundava as perdas.
“A taxa dos títulos norte-americanos está bem acelerada, bem acima dos 5%, e o dólar se fortaleceu lá fora também. Isso faz com que o real se desvalorize”, comentou João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp. A valorização da moeda americana ocorreu também frente a divisas de emergentes, como o peso colombiano, o peso mexicano e o rand sul-africano.
No Brasil, o Banco Central atualizou suas projeções econômicas no Relatório de Política Monetária. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 2,0% para 1,8%, enquanto a projeção para o ano seguinte é de 1,4%. A desaceleração da atividade tem sido citada por analistas como um dos fatores que favorecem novos cortes da taxa básica Selic, hoje em 13,75%. A perspectiva de uma Selic menor, somada à possibilidade de mais aumentos de juros nos EUA — cuja taxa está na faixa de 3,75% a 4,00% —, reduz o diferencial de juros entre os dois países, o que pode alterar o fluxo de investimentos para o Brasil, com impactos de alta no dólar.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos, operação que amplia a liquidez no mercado em um momento de saída de recursos do país antes das eleições de outubro. Na véspera, a autoridade monetária informou que o fluxo cambial brasileiro em setembro até o dia 18 foi negativo em US$ 7,078 bilhões. No exterior, às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,14%, a 101,270.
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Por Redação