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Copom decide taxa de juros sob pressão inflacionária e desconfiança do mercado

Por Redação
Atualizado em 04/11/2026 às 11:05 schedule 3 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) após as eleições ocorre em um ambiente de pressão inflacionária, tensões externas e desconfiança do mercado sobre a condução da política fiscal pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. Até poucos dias antes do segundo turno, a expectativa majoritária apontava para um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic. O resultado das urnas inverteu a probabilidade, e grande parte do mercado passou a projetar a manutenção dos juros no atual patamar, de 13,75% ao ano.

Segundo economistas ouvidos pelo setor, a mudança de humor foi rápida. O dólar subiu de R$ 4,96, cotação da sexta-feira anterior ao segundo turno, para cerca de R$ 5,40 até esta terça-feira (3). A inflação oficial (IPCA) acumula alta de 4,58% em doze meses, acima do teto da meta de 4,5%. "A eleição mudou esse quadro em um dia: o dólar subiu cerca de 8%, a inflação implícita nos títulos públicos avançou mais de um ponto e as curvas indicam alta chance de pausa", avalia Guilherme Ghidetti, sócio e CIO da Jera Capital.

A inflação de serviços, resistente a recuos, reforça a cautela. Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, destaca que os serviços intensivos em trabalho já superam 7% de alta, pressionando por juros restritivos por mais tempo. No cenário externo, Vitor Kayo, da Nomad, aponta que a manutenção dos juros pelo Federal Reserve entre 3,75% e 4% reduz o diferencial de taxas com o Brasil e limita a disposição do Copom de tratar a desvalorização cambial como choque passageiro. O petróleo elevado e o efeito do El Niño sobre os alimentos completam o quadro de riscos.

Entre as casas de análise, ganha força a percepção de pausa nesta reunião de novembro. Gustavo Sung, da Suno Research, projeta a Selic mantida em 13,75% até o fim de 2026, recuando para 12% ao fim de 2027. Carlos Lopes, do BV, não vê espaço para corte em novembro nem em dezembro. Uma parcela menor, porém, ainda aposta em redução de 0,25 ponto, para 13,5%, como Leandro Padulla, do ASA, e Rafaela Vitoria, do Inter, que condicionam a retomada dos cortes à implementação de medidas fiscais estruturantes.

O impacto da reprecificação aparece nas revisões do Boletim Focus desta semana. André Matos, CEO da MA7 Capital, aponta que as projeções para a Selic no fim de 2027 subiram de 11,75% para 12,50%, enquanto a inflação esperada saltou de 4,34% para 4,76%. Ele alerta que cada ponto percentual a mais na taxa básica representa custo anual de cerca de R$ 50 bilhões em juros para o governo, podendo impulsionar a dívida pública a 77% do PIB em 2028 sem um plano fiscal convincente.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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