Ameaças de bomba obrigam voos na Europa a fazer pousos de emergência; o que se sabe
Vários voos na Europa foram alvo de ameaças de bomba nesta quinta-feira (5/11), e alguns precisaram ser desviados de seus destinos originais, segundo autoridades. Caças escoltaram parte das aeronaves, e aviões foram redirecionados para outros aeroportos ou bases militares. Não há relatos de que explosivos tenham sido encontrados.
Um Airbus A320 da Aer Lingus que partiu de Dublin, na Irlanda, com destino a Roma, na Itália, emitiu um alerta de emergência, foi desviado e pousou na base aérea de Evreux, no norte da França. Em comunicado, a Aer Lingus confirmou que o voo EI402 "foi desviado para a Normandia nesta manhã como medida de segurança" e afirmou que a aeronave pousou em segurança e que a companhia trabalhará para reacomodar os passageiros em voos para o destino final o mais rápido possível. A companhia finlandesa Finnair informou que houve uma ameaça de bomba em um de seus aviões que viajava de Helsinque para a capital italiana; a aeronave foi escoltada por caças da Força Aérea e pousou conforme previsto. Na República Tcheca, a polícia afirmou que foram recebidas ameaças em quatro voos com destino a Praga e que os testes para detectar explosivos "tiveram resultados negativos".
Os episódios ocorrem poucos dias depois de oito voos europeus, incluindo dois que partiram do Reino Unido, terem sido alvo de supostas ameaças de bomba. Nenhum explosivo foi encontrado nos aviões após as buscas. A secretária de Transportes do Reino Unido, Heidi Alexander, disse que os voos em toda a Europa foram impactados por "ameaças falsas e maliciosas" e que o governo britânico "leva essas ameaças a sério, mas entendemos que são ameaças falsas e maliciosas".
Entre os voos que relataram ameaças nesta quinta-feira estão o da Aegean, de Tessalônica a Milão, que pousou em Milão; o da Ryanair, do Porto a Milão, que pousou em Milão; o da Wizz Air, de Milão a Bucareste, que pousou em Bucareste; o da Wizz Air, de Milão a Varsóvia, desviado para Viena; o da LOT, de Varsóvia a Bruxelas, que pousou em Bruxelas; e três voos da Ryanair com destino a Sófia — um de Copenhague, um de Madri e um de Londres, este último desviado para Plovdiv. A Wizz Air afirmou que seu voo de Milão a Varsóvia foi desviado para Viena "de acordo com os protocolos de segurança estabelecidos" e acrescentou que outras companhias aéreas "também estavam recebendo ameaças".
Quase 200 passageiros foram retirados de um voo da Wizz Air que ia de Milão a Bucareste após uma ameaça de bomba. O voo WMT3064 pousou em segurança no Aeroporto Internacional Henri Coandă, em Bucareste, às 11h08 no horário local. Autoridades aeroportuárias disseram que os passageiros foram retirados e que procedimentos de emergência foram acionados em cooperação com instituições do Estado, com uma unidade de gestão de crise sendo criada. Uma equipe especializada em desativação de explosivos do Serviço de Inteligência da Romênia (SRI) inspeciona a aeronave. A Companhia Nacional de Aeroportos de Bucareste informou que o tráfego aéreo operava com segurança e sem interrupções.
Especialista em segurança da aviação ouvido pela BBC afirmou que as ameaças desta semana "muito provavelmente são falsas, mas o sistema está certo em tratá-las como reais". Marco Chan, professor de operações de aviação na Universidade de Kingston e ex-piloto da Cathay Pacific, disse que alguns especialistas veem as falsas ameaças como "possivelmente parte de um padrão de ações de baixo custo para perturbar o transporte aéreo, cuja autoria pode ser negada". Ele acrescentou que "ondas de falsas ameaças também podem partir de pessoas que imitam outras ações ou de um pequeno grupo de indivíduos", mas que "três dias de incidentes são uma amostra pequena demais para distinguir uma ação coordenada de uma onda de imitação". Segundo Chan, o custo para quem faz a ameaça é "quase zero" em comparação com o impacto sobre companhias aéreas, aeroportos e forças aéreas.
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