Análise: Futuro de Alexandre de Moraes depende de Davi Alcolumbre
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou que não pretende pautar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial de Alexandre de Moraes, caso seja reeleito para o comando da Casa. A avaliação é do analista de Política da CNN Matheus Teixeira, em participação no CNN 360°.
Segundo Teixeira, a leitura dos bastidores em Brasília é de que o futuro de Moraes na Corte está diretamente ligado ao resultado da disputa pela presidência do Senado. Isso porque cabe exclusivamente ao presidente da Casa a prerrogativa de abrir ou não um processo de impeachment contra um ministro do STF. "Se Davi Alcolumbre conseguisse se reeleger, a chance dele abrir um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes é muito baixa", afirmou o analista.
Moraes é acusado de manter relação próxima com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, instituição envolvida em uma fraude que teria gerado um rombo superior a R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Há ainda uma fraude no Banco Regional de Brasília que pode superar os R$ 10 bilhões, totalizando mais de R$ 60 bilhões. A esposa do ministro teria mantido contrato com o Banco Master, e o próprio Moraes chegou a ser alvo de acusação da Polícia Federal. No plenário do STF, o julgamento do caso foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Independentemente do desfecho no STF, há no Senado um movimento para aprovar o impeachment de Moraes. Teixeira destacou que, com a composição mais à direita do próximo Senado — resultado das eleições de 5 de outubro —, nomes como Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN), ambos mais próximos a Jair Bolsonaro, também disputam a presidência da Casa e têm chances reais de vencer. São necessários 41 votos entre os 81 senadores para vencer a eleição.
Conforme o analista, se um candidato mais à direita assumir o comando do Senado, a probabilidade de abertura do processo de impeachment aumenta consideravelmente. Alcolumbre já articula nos bastidores a tentativa de atrair votos da direita, compor com o governo e conquistar apoio do centrão para garantir sua reeleição.
Esta matéria foi publicada primeiro em CNN Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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