André Mendonça adota postura firme e enfrenta colegas no STF
Desde que tomou posse no Supremo Tribunal Federal, em 2021, o ministro André Mendonça tem combinado uma postura pessoal de calma com reações diretas em momentos de tensão. Nos últimos embates, ele confrontou os colegas Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes ao defender a apuração de condutas internas na Corte e a criação de um código de ética para disciplinar a atuação dos magistrados.
O próprio ministro resume seu comportamento com uma metáfora: há momentos de agir como cordeiro, com calma e reflexão, e outros de reagir como leão, com firmeza. Segundo a reportagem, essa disposição já se anunciava antes mesmo da nomeação feita por Jair Bolsonaro, quando ele sinalizava que sua tranquilidade habitual não o impediria de sobreviver ao ambiente difícil do tribunal.
Na prática, Mendonça alterna falas pausadas e articuladas com respostas contundentes quando se sente provocado ou discorda de acusações de colegas, como ocorreu em sessões recentes sobre temas sensíveis, entre eles os atos de 8 de janeiro. No caso de Moraes, o ministro reagiu de forma exaltada a acusações durante uma sessão que discutia o futuro do colega. Já a tensão com Gilmar Mendes aumentou após Mendonça divulgar nota oficial classificando como curioso o fato de o colega criticar a publicidade de investigações — algo que Mendes sempre defendeu. Mendonça também já havia questionado a atuação do governo federal no 8 de janeiro, o que gerou troca de farpas com Moraes, na qual afirmou que ninguém deveria colocar palavras em sua boca.
Uma das principais bandeiras do ministro é a autocontenção do Poder Judiciário. Para ele, o tribunal não deve praticar ativismo judicial, situação em que juízes criam normas ou interferem excessivamente nas competências do Executivo e do Legislativo. Mendonça sustenta que o papel do magistrado é aplicar a lei com base em evidências, ouvindo mais do que falando, e defende com urgência a aprovação de um código de ética que discipline o comportamento dos ministros dentro e fora da Corte, assegurando respeito às normas da República e à liturgia do cargo.
Nascido em Santos e filho de um bancário presbiteriano, Mendonça é pastor credenciado da Igreja Presbiteriana do Brasil e afirma separar a fé da função pública: no Supremo, diz usar a Constituição; na vida pessoal, segue a Bíblia. Sua trajetória é marcada pelo foco acadêmico, com mestrado e doutorado pela Universidade de Salamanca, na Espanha, período em que chegou a vender bens pessoais para financiar os estudos no exterior. Recentemente, sua identidade religiosa foi citada em relatórios de inteligência da Polícia Federal, o que ele considera uma tentativa inconstitucional de tolher sua participação política.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação