Aos 80 anos, João Bosco recria a obra com sofisticação no sopro renovador do álbum 'Amigos novos e antigos'
O cantor, compositor e músico mineiro João Bosco lança nesta sexta-feira, 25 de setembro, o álbum de duetos "Amigos novos e antigos", com 18 faixas que somam quase uma hora e meia de música. O disco celebra os 80 anos completados pelo artista em 13 de julho e tem direção artística de Julia Bosco, filha e empresária do cantor.
Primeiro projeto de duetos da discografia de Bosco, o álbum reúne artistas de gerações distintas. Entre os nomes da chamada geração 2020 estão Bruna Black e Jota.Pê. O disco também traz encontros com Ivete Sangalo, Martinho da Vila, Chico Buarque, Silva, Vanessa Moreno, Caetano Veloso, Mestrinho, Gonzalo Rubalcaba, Anat Cohen e Jaques Morelenbaum, além de Pedro Mariano e Rafa Mariano.
Segundo a crítica, o sopro renovador do álbum vem sobretudo da presença do trombonista Rafael Rocha, que divide com o próprio João Bosco os arranjos e a produção musical. Os arranjos de cordas e metais são assinados por Rocha. A gravação de "Corsário" (João Bosco e Aldir Blanc), lançada em 1975 na voz de Ney Matogrosso, exemplifica o rigor estético do disco: com nove minutos e meio, a faixa se aproxima do formato de peça sinfônica, com passagem instrumental de mais de dois minutos antes de o cantor recitar versos do poema "E então, que quereis?...", do russo Vladimir Maiakóvski, acoplado à música por Bosco desde 1989, e antes do canto de Ivete Sangalo.
O álbum abre e encerra com o afro-samba "Odilê, odilá" (1985), em dueto com Martinho da Vila, coautor da composição. A faixa-título, "Amigos novos e antigos" (João Bosco e Aldir Blanc, 1974), é cantada com Bruna Black. Já "Incompatibilidade de gênios" (1976) transita pelo afro-jazz-latino com o piano de Gonzalo Rubalcaba e o canto dividido com Chico Buarque. "Papel machê" (1984) traz cordas e o canto de Silva, enquanto "Memória da pele" (1989) ganha o violoncelo de Jaques Morelenbaum na voz de Vanessa Moreno.
A presença de Caetano Veloso em "Sinhá" (2011) é apontada como justificada pelo ineditismo do encontro em estúdio dos dois artistas. A aura do parceiro Aldir Blanc (1946-2020) paira sobre o disco, especialmente em "Toma lá, dá cá" (2007). A gravação de "O bêbado e a equilibrista" (1979), com Pedro Mariano e Rafa Mariano, é descrita como feita com outra banda e outra arquitetura sonora, mas redimida pelo elo com Elis Regina (1945-1982), voz original do samba e intérprete fundamental da obra de Bosco e Aldir Blanc.
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Por Redação