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Boulos cita R$ 600 bi em desonerações e fala em ‘chantagem’ do mercado

Por Redação
Atualizado em 31/10/2026 às 18:25 schedule 3 min de leitura visibility 5 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou ver uma “chantagem do mercado” na pressão por ajuste fiscal no próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu que eventuais cortes sejam direcionados a privilégios, e não a políticas que atinjam a população mais pobre. As declarações foram dadas em entrevista à Folha de S.Paulo publicada neste sábado (31).

“Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular. Isso é anular a democracia”, afirmou o ministro. A fala ocorre em meio à intensificação do debate sobre o ajuste fiscal no quarto mandato de Lula, após a reeleição do presidente no último domingo (25).

Entre as medidas que, segundo Boulos, deveriam entrar na discussão estão a revisão de desonerações fiscais, o enfrentamento de supersalários no setor público e mudanças nas emendas parlamentares. “O corte que queremos é em privilégios: temos quase R$ 600 bilhões por ano em desonerações fiscais”, disse. A ordem de grandeza citada encontra respaldo em dados oficiais: o Tribunal de Contas da União (TCU) estima os gastos tributários de 2026 em mais de R$ 600 bilhões.

Sobre as emendas parlamentares, o ministro afirmou: “Só aí tem R$ 61 bilhões.” O Orçamento de 2026 prevê aproximadamente R$ 61 bilhões em emendas, dos quais R$ 37,8 bilhões correspondem a emendas impositivas, de pagamento obrigatório.

A discussão ocorre em um cenário de avanço do endividamento público. Dados mais recentes do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em setembro, equivalente a R$ 11,1 trilhões, percentual estável em relação a agosto, mas com alta de 4,3 pontos percentuais no ano. Bancos, gestores e agências de classificação de risco têm cobrado maior clareza sobre as medidas a serem adotadas pelo novo governo. A Fitch alertou para o aumento das incertezas fiscais após a reeleição de Lula, enquanto o UBS apontou que investidores devem buscar medidas concretas e quantificadas antes de uma melhora mais consistente da percepção sobre os ativos brasileiros.

Boulos argumentou que a trajetória da dívida brasileira deve ser analisada também em comparação com outras grandes economias e criticou propostas de ajuste que, em sua avaliação, recaiam principalmente sobre serviços públicos e a população mais pobre. No campo político, minimizou as discussões sobre a sucessão presidencial e defendeu que a prioridade da esquerda seja a sustentação do quarto mandato de Lula. Segundo o ministro, antecipar a discussão sobre nomes para suceder o presidente “só serve à divisão interna na esquerda e no governo”. Ele afirmou ainda que a governabilidade do próximo mandato não deverá depender apenas da articulação institucional com Congresso e Judiciário: “Precisaremos governar com as ruas e as redes”.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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