Brasil e EUA: entenda as relações após alerta sobre eleições
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório reservado que aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento também alerta para uma tendência de escalada da pressão norte-americana sobre o Brasil. O relatório foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. As informações foram divulgadas no sábado (19) pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Segundo a publicação, a inteligência brasileira classifica a possibilidade de interferência externa com um "nível de criticidade" e contextualiza o problema ao afirmar que "a reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina" é prioridade do segundo governo do presidente norte-americano Donald Trump. O objetivo seria afastar "rivais dos EUA", como a China, de ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região. A avaliação da Abin indica que houve intensificação das ações dos Estados Unidos em relação ao Brasil ao longo dos últimos meses.
Além da ingerência nas eleições, o Brasil vem sendo alvo de medidas econômicas e políticas consideradas prejudiciais aos interesses nacionais, enquanto o governo brasileiro busca manter boas relações diplomáticas e comerciais. Apesar das críticas às ações do governo estadunidense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva costuma dizer, em eventos e entrevistas, que "se dá muito bem com o Trump".
Desde abril de 2025, o Brasil tem sido alvo de tarifas de exportação para produtos vendidos aos Estados Unidos. Inicialmente, foram 10% aplicados a vários países. Em 30 de julho daquele ano, Trump assinou uma Ordem Executiva que considerava o Brasil uma "ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA" e elevou o valor total da tarifa para 50%. Entre as justificativas para o aumento, destacava-se a atuação da Justiça brasileira ao limitar a atuação de redes sociais em território nacional, entre elas a Rumble, da Trump Media & Technology Group (TMTG), e o X, presidido por Elon Musk. Outra justificativa passou pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, que o governo norte-americano classificou como perseguição política.
O governo dos EUA também aplicou a Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e à sua esposa, a advogada Viviane Barci Moraes, medida que prevê bloqueio de contas e ativos, proibição de transações com empresas americanas e impedimento de entrada no país. Também tiveram o visto cancelado os ministros do STF Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Em dezembro de 2025, Moraes e a esposa foram retirados da lista de sancionados. Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas impostas globalmente por Trump, decisão que obrigou o governo a devolver bilhões de dólares arrecadados. Ainda assim, em 22 de julho os EUA anunciaram sobretaxa de 25% que atingiu 19% das exportações brasileiras, seguida de nova tarifa de 12,5%. Atualmente, parte dos produtos exportados ao país pode ser tributada em até 37,5%.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação