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“Brasil é país high yield”: por que não investir lá fora é cada vez mais arriscado

Por Redação
Atualizado em 19/09/2026 às 08:20 schedule 3 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O investidor brasileiro costuma tratar os títulos públicos do país como aplicações de risco mínimo, mas o mercado internacional enxerga o Brasil de forma diferente: como emissor high yield, categoria que oferece retorno elevado em troca de risco também elevado. A avaliação é de Marcelo Guterman, especialista de investimentos da Franklin Templeton Brasil, feita em evento promovido nesta semana pela Planejar.

Segundo Guterman, para quem mora no Brasil a percepção é de que o risco soberano é baixo, mas o investidor estrangeiro classifica o país como Double B. "O Brasil é um país high yield, e é por isso que paga essa rentabilidade", afirmou, questionando se alguém colocaria 100% do portfólio em um título de crédito com essa classificação.

O mesmo painel reuniu Giuliano De Marchi, CEO da J.P. Morgan Asset Management na América Latina. Ele comparou o tamanho dos mercados: a indústria brasileira de investimentos soma cerca de US$ 2 trilhões, enquanto a mundial deve fechar o ano com cerca de US$ 155 trilhões. Apesar de ser um dos dez maiores mercados do mundo, o Brasil representa apenas 1,5% das oportunidades globais de investimento — ou seja, quem concentra a carteira no país deixa de fora 98,5% das possibilidades de diversificação.

Para Guterman, essa concentração decorre do home bias, viés comportamental que leva o investidor a manter os recursos onde mora, agravado pelos juros locais. William Castro Alves, estrategista-chefe e sócio da Avenue, observa que o CDI parece render muito no acumulado de dez anos, mas perde força quando descontada a inflação e praticamente não avança quando convertido em dólar. Ele cita títulos do Tesouro com taxas de IPCA + 6%, 7% ou 8%, enquanto no exterior há papéis que pagam CPI + 3% e high yield com dólar + 6% ou + 7% ao ano.

Entre as formas de acessar o mercado internacional, os especialistas citam ETFs ativos, estruturas UCITS sediadas na Irlanda ou em Luxemburgo — que protegem do imposto sobre herança americano e permitem diferimento fiscal — e ativos inexistentes no Brasil, como os CLOs, que podem entregar dólar + 15% a dólar + 20% ao ano. De Marchi destaca que o brasileiro aloca em média apenas 1% do patrimônio no exterior, abaixo de Chile (50%), Colômbia (40%) e México (30%), e projeta que essa fatia chegue a 20% ou 30% nos próximos anos.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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