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Crise diplomática entre EUA e Brasil trava cooperação contra crime organizado

Atualizado em 13/09/2026 às 19:35 schedule 3 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Uma crise diplomática está dificultando a cooperação entre Estados Unidos e Brasil no combate conjunto ao crime organizado, tema que o governo de Donald Trump colocou no centro de sua agenda para o Hemisfério Ocidental. Segundo autoridades americanas e brasileiras ouvidas sob condição de anonimato, o Departamento de Estado dos EUA está segurando a concessão de vistos para dois agentes da Polícia Federal brasileira designados para postos em Miami e Nova York, onde trabalhariam junto ao Homeland Security Investigations e a outras agências federais americanas no combate a crimes transnacionais.

Os dois agentes já haviam sido selecionados e aprovados por autoridades dos dois países no início do ano, como parte de uma renovação de quadros de rotina, e deveriam ter assumido os postos no mês passado. Um deles substituiria Marcelo Ivo de Carvalho, adido policial expulso dos Estados Unidos em abril, após ser acusado pelo governo Trump de sofrer "perseguição política" por seu papel na prisão de um ex-chefe da inteligência brasileira que havia fugido para os EUA depois de condenado por planejar um golpe de Estado.

Em resposta, o Brasil passou a bloquear o visto de um agente de segurança pública dos EUA que seria designado para atuar no país. O governo brasileiro já havia revogado as credenciais do antecessor desse agente em Brasília, e agora segura o visto do substituto até que seus próprios adidos sejam autorizados a assumir os postos nos Estados Unidos. As autoridades dos dois países ainda negociam a questão dos vistos.

O governo americano também recusou, alegando agenda cheia até novembro, um pedido de visita de uma equipe de quase uma dezena de agentes da Receita Federal e da Aduana brasileira que investigam lavagem de dinheiro e contrabando de armas ligados a facções internacionais do narcotráfico. Eles pretendiam visitar equivalentes em Washington em junho. Sob um novo sistema de compartilhamento de inteligência implementado neste ano, agentes aduaneiros dos dois países vinham se alertando mutuamente sobre cargas suspeitas em contêineres, o que ajudou a interceptar cargas ilícitas, como armas.

Especialistas apontam que grupos criminosos brasileiros usam o sistema bancário americano para lavar recursos e que os Estados Unidos são importante fonte de armas ilegais para essas organizações. "Hoje, as facções criminosas não conhecem fronteiras", disse Edvandir Felix de Paiva, presidente da associação de delegados da Polícia Federal do Brasil. "Por isso, precisamos trabalhar juntos." O Departamento de Estado afirmou que mantém "os mais altos padrões de segurança nacional" na concessão de vistos, enquanto a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA disse estar comprometida em manter diálogo com as autoridades brasileiras. A Polícia Federal e o Itamaraty não comentaram o assunto.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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