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Brené Brown: A habilidade mais valiosa na era da IA continua sendo humana

Atualizado em 26/09/2026 às 09:20 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A pesquisadora e professora Brené Brown afirmou que os sistemas nervosos humanos não estão preparados para o nível de incerteza do mundo atual. A declaração foi feita durante o Fortune Most Powerful Women Summit, realizado em Washington em 2025.

"É extraordinariamente difícil ser corajoso neste momento, por uma série de razões", disse Brown. "A política é uma delas, mas também os mercados em rápida transformação. E há ainda a força de trabalho. Vou dizer uma coisa: as pessoas não estão bem. Se você lidera equipes, provavelmente já sabe disso."

Segundo ela, os seres humanos são neurologicamente programados para buscar certeza, e não para lidar com níveis elevados de estresse, medo e incerteza. Por isso, uma liderança bem-sucedida hoje exige autoconsciência, capacidade de regular o próprio sistema nervoso, metacognição — a habilidade de refletir sobre o próprio pensamento — e disposição para desacelerar a tomada de decisões, mantendo alinhamento com missão e valores.

Brown afirmou que, embora seja otimista em relação à tecnologia, muitas competências continuam sendo exclusivamente humanas e não podem ser replicadas pela inteligência artificial. O problema, na avaliação dela, é que as pessoas não estão exercendo bem essa humanidade. "Estamos sendo péssimos em ser profundamente humanos neste momento", disse. "Não conseguimos mais suportar uns aos outros."

Para a pesquisadora, o mundo corporativo ainda é excessivamente influenciado pelos princípios de liderança de Jack Welch, ex-presidente e CEO da General Electric. Na visão dela, Welch ensinou que características humanas podem ser obstáculos ao desempenho profissional — filosofia adotada por muitas empresas listadas na Fortune 500 que, segundo Brown, não funciona em um ambiente complexo e incerto como o atual. O executivo ficou conhecido por promover a chamada "curva de vitalidade", sistema que classificava funcionários entre os 20% melhores, os 70% intermediários e os 10% com pior desempenho, que deveriam ser desligados anualmente. Críticos como Brown argumentam que essa prática, conhecida como rank and yank, cria um ambiente de medo, prejudica a colaboração genuína entre equipes e tem eficácia limitada para construir culturas organizacionais saudáveis no longo prazo.

"O medo tem prazo de validade curto. Não é possível manter pessoas com medo por longos períodos", afirmou. "Nossa biologia não funciona assim. Quando sentimos medo, duas coisas tendem a acontecer: ficamos emocionalmente anestesiados ou passamos a considerar aquela sensação como algo normal. Para manter poder sobre outras pessoas é preciso renovar constantemente a sensação de ameaça."

Brown ganhou projeção internacional após sua palestra TEDx de 2010, "O Poder da Vulnerabilidade", uma das mais assistidas da história da plataforma. Autora de seis best-sellers número um do New York Times, entre eles A Coragem de Ser Imperfeito, A Arte da Imperfeição e A Coragem para Liderar, ela também apresenta os podcasts Unlocking Us e Dare to Lead e inspirou documentários da Netflix como The Call to Courage e Atlas of the Heart. Professora da Universidade de Houston e da Universidade do Texas em Austin, sustenta que a vulnerabilidade é essencial para o desenvolvimento da coragem, da criatividade e de conexões significativas, e que enfrentar emoções desconfortáveis é condição indispensável para construir resiliência e exercer uma liderança autêntica.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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