Caso Vorcaro: os principais elementos que colocam Moraes sob análise no STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) deve analisar na terça-feira (15) se existem elementos suficientes para abrir uma investigação formal sobre o ministro Alexandre de Moraes. A discussão parte de informações recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante a Operação Compliance Zero.
No aparelho, os investigadores encontraram mensagens enviadas a um número atribuído a Moraes, além de registros de encontros e documentos ligados à relação entre o ministro, o banqueiro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado. Parte das respostas atribuídas a Moraes foi enviada como imagem de visualização única e não pôde ser recuperada, o que permite conhecer trechos do que Vorcaro escreveu, mas não o teor integral das respostas nem concluir se algum pedido foi atendido. Moraes não é investigado até o momento.
Entre os pontos que mais pesam estão supostos pedidos feitos por Vorcaro às vésperas de sua primeira prisão, em novembro de 2025. Segundo o relatório da PF, o banqueiro buscou informações e ajuda para tentar conter o avanço da investigação sobre o Master. Em 15 de novembro, dois dias antes de ser preso, perguntou a Moraes se precisaria estar fora na segunda-feira. No dia seguinte, voltou a procurar o ministro e questionou se o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, poderia postergar medidas prestes a ser cumpridas. Em outra mensagem, mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Os registros também apontam uma possível sequência de contatos presenciais. De acordo com a PF, ao menos 15 mensagens trocadas entre 28 de outubro e 16 de novembro de 2025 fazem referência a encontros entre os dois, com indicações de reuniões nos dias 14 e 16 de novembro. Após um dos encontros, Vorcaro enviou mensagem em que declarou gratidão pessoal ao ministro.
Outro núcleo sensível envolve a relação financeira entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes. A PF encontrou um contrato que previa pagamentos brutos de aproximadamente R$ 131 milhões ao escritório, com 36 parcelas mensais, e metadados que registram alterações feitas por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. Dados apresentados à CPI do Crime Organizado no Senado indicaram que o escritório recebeu mais de R$ 80 milhões do Master entre 2024 e 2025. A investigação encontrou ainda um segundo contrato, estimado em R$ 50 milhões, relacionado à transferência de participações em aeronaves.
O ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master, retirou o sigilo de parte do material e levou ao Supremo a discussão sobre uma eventual investigação de Moraes. A Procuradoria-Geral da República sustenta que o relatório da PF deve ser considerado nulo por supostos problemas na origem da apuração e na condução da coleta das informações. O julgamento deverá enfrentar, além do mérito das mensagens, a questão anterior sobre se o material foi produzido regularmente e pode ser usado para justificar uma investigação.
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Por Redação