Cenário de apatia e estabilidade nas pesquisas pode levar minoria a definir eleição
Pesquisas eleitorais divulgadas nas últimas semanas indicam um cenário de estabilidade e empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência. Segundo analistas ouvidos, o equilíbrio nas intenções de voto reduz o universo de eleitores disponíveis para persuasão e torna decisiva a conquista de grupos minoritários, como mulheres, classe média e eleitores sem identificação ideológica.
Levantamento Datafolha publicado em 21 de agosto mostra Lula com 47% das intenções de voto contra 43% de Flávio, cenário considerado empate técnico pela margem de erro. Já pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) exibe os dois candidatos com 42% e 41%, respectivamente, também dentro da margem de erro. Os números reforçam a percepção de que a disputa deve ser decidida voto a voto em 25 de outubro.
Para o cientista político Hilton Fernandes, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), a pouca variação de Lula nas pesquisas ocorre porque não há outro candidato à esquerda capaz de dividir seus eleitores. Já Flávio, segundo ele, disputa o eleitorado da direita com outros nomes no primeiro turno, o que explicaria as oscilações após as denúncias envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro. A Quaest aponta que 60% dos entrevistados consideram que o senador não é o melhor nome da direita, enquanto 35% dizem o mesmo sobre o petista.
A professora de Ciência Política da UFRJ, Mayra Goulart, pondera que o encurtamento da distância entre os candidatos não representa necessariamente uma aproximação real. Ela observa que as oscilações individuais são pequenas e próximas da margem de erro. No primeiro turno, o eleitor tem oferta maior de candidaturas e pode optar por nomes menores para manifestar insatisfação; no segundo, a escolha retorna ao formato binário. A especialista alerta que as campanhas precisam atuar nas margens, pois cada ponto conquistado ganha mais valor eleitoral em um cenário de polarização.
No Nordeste, onde Flávio realizou agenda eleitoral em agosto acompanhado do vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), o Datafolha mostra Lula com 53% das intenções de voto contra 25% do senador. Mayra avalia que a estratégia de reduzir a diferença na região é racional, mas vencer o petista lá é pouco realista. No campo progressista, a campanha de Lula aposta em jingles com entonação de hino e valores alinhados à igreja para atrair eleitores evangélicos. Os analistas convergem que a estabilidade nas pesquisas favorece Flávio, que conseguiu preservar seu eleitorado mesmo após desgastes, e mantém aberta a possibilidade de agregar no segundo turno parte dos votos de outros candidatos de direita.
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Por Redação