Céu tem o impacto do primeiro álbum analisado, sob perspectiva histórica, em relevante título da série 'O livro do disco'
O primeiro álbum da cantora e compositora paulistana Céu, lançado em 2005, é tema de um novo título da série "O livro do disco", da editora Cobogó. A análise é assinada pela jornalista e radialista Fabiane Pereira, que recebeu cotação de quatro estrelas e meia na crítica.
Segundo o texto, o lançamento ganha relevância por ser apenas o segundo título brasileiro da série dedicado a um álbum do século XXI — e a um disco que, nas palavras da autora, fez história ao abrir caminhos, em 2005, para uma cena indie que se espraiou pela nova música brasileira ao longo dos últimos 20 anos. O álbum de estreia é de Maria do Céu Whitaker Poças, conhecida como Céu.
Fabiane Pereira contextualiza o momento em que o disco surgiu, quando a indústria fonográfica ainda operava no modelo físico dos CDs, mas já era forçada a abrir portas para o mundo digital. A obra teria nascido de uma cena já em ebulição no circuito alternativo de São Paulo e mostrado que havia mercado e público para um som distante das fórmulas radiofônicas então vigentes.
O livro também reconstitui a trajetória biográfica de Céu até o disco, incluindo a temporada em Nova York, onde a artista teve maior contato com o reggae — gênero presente já no álbum de 2005, inclusive na regravação de "Concrete jungle", de Bob Marley. A produção do disco, assinada por Beto Villares em parceria com a própria Céu e com colaboração de Antônio Pinto na faixa "Ave cruz", é dissecada na obra, que ainda credita ao selo indie paulistano Urban Jungle a liberdade estética do projeto.
Entre os pontos destacados estão a boa receptividade da crítica — inclusive de Caetano Veloso — e a distribuição do álbum nos Estados Unidos, na rede de lojas Starbucks, que serviu de passaporte para a entrada de Céu no circuito europeu de festivais. A narrativa é embalada por depoimentos inéditos da própria cantora, que também assina comentários sobre cada uma das 15 faixas do álbum. O livro, no mercado desde agosto, se encerra com os capítulos "2005: onde estávamos nós?" e "O legado do primeiro disco".
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Por Redação