'Disputa religiosa' em torno de Nossa Senhora Aparecida leva fake news de volta ao centro da eleição presidencial, destaca imprensa internacional
A disputa em torno de Nossa Senhora Aparecida, alimentada por notícias falsas nas redes sociais, voltou a colocar a desinformação no centro da campanha presidencial brasileira e ganhou destaque na imprensa internacional. Segundo reportagem da agência Bloomberg, uma "disputa religiosa desencadeada por notícias falsas" abriu um "novo e improvável campo de batalha" na última semana antes do pleito de 4 de outubro.
A agência descreveu o episódio como "a mais recente reviravolta" de uma campanha que, segundo o texto, já foi marcada pelo escândalo do Banco Master e por uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal. A disputa envolve os dois principais candidatos à Presidência, o atual mandatário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), e foi criada por postagens que associam o senador a uma suposta articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Flávio Bolsonaro desmentiu a intenção. "Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto", afirmou em vídeo no qual acusa o PT de explorar eleitoralmente o caso. Não há projeto apresentado por ele com esse objetivo. O texto citado na polêmica é o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Victório Galli, de Mato Grosso, hoje filiado ao Progressistas. A Câmara dos Deputados informa que a proposta, que pretendia substituir a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos", foi arquivada em 2008.
O jornal espanhol El País destacou que a controvérsia envolveu líderes da Igreja Católica e a Suprema Corte, em um episódio que "pode influenciar uma eleição extremamente acirrada". Após as postagens viralizarem, Flávio disse, sem apresentar provas, que "gente de dentro" da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) articulou a disseminação da notícia falsa. O órgão máximo de representação dos bispos em Roma respondeu afirmando que "mentiras não se combatem com mentiras".
Ainda segundo a Bloomberg, a desinformação "se tornou uma característica recorrente das eleições brasileiras", e a disputa em torno de Nossa Senhora "pode até estar afetando a corrida eleitoral". Pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira (28/10) apontou que o apoio a Lula entre católicos subiu de 44% para 47%, enquanto Flávio oscilou de 34% para 33% nesse grupo. No Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, Lula aparece com 41% no primeiro turno, contra 36% do senador; em simulação de segundo turno, o presidente tem 45% e Flávio, 44%.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarSobre o autor
Por Redação