China sofre novo revés em esforço para “desdolarizar” finanças globais
A Arábia Saudita deixou discretamente a plataforma de pagamentos digitais mBridge, liderada pela China e apresentada por Pequim como uma alternativa ao sistema SWIFT, dominado pelo dólar. A informação é do jornal britânico Financial Times.
Lançado pela China em 2021, o mBridge permite que bancos centrais usem moedas digitais para realizar transações diretamente por meio da tecnologia blockchain. O projeto teve adesão inicial de China, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e do Banco de Compensações Internacionais (BIS), conhecido como o banco central dos bancos centrais.
Segundo o Financial Times, o banco central saudita, o SAMA, informou que ingressou no mBridge em 2023 “sob o guarda-chuva do BIS, como membro observador”, como parte de sua pesquisa sobre moedas digitais de bancos centrais. Em 2024, a instituição participou de esforços para criar uma prova de conceito. “Conforme planejado, o SAMA concluiu com sucesso sua prova de conceito do mBridge em 13 de maio de 2025. Após a conclusão da prova de conceito, o SAMA deixou de ser um membro participante do mBridge”, afirmou o banco central em comunicado.
Uma fonte disse ao FT que o Banco Central Saudita não queria mais estar publicamente envolvido com o mBridge. Questionada se o reino havia sofrido pressão dos Estados Unidos para deixar o projeto, outra fonte afirmou que seria “impreciso tirar qualquer conclusão mais ampla”. A saída ocorre depois de o BIS ter deixado o mBridge em outubro de 2024, supostamente após pressão dos EUA. O BIS, porém, afirmou que havia “concluído sua participação” e negou que houvesse considerações políticas envolvidas.
A participação inicial da Arábia Saudita foi vista como uma grande vitória para o mBridge, já que o país é uma das bases do atual regime do “petrodólar”, que remonta a um acordo firmado em 1974, quando Riad concordou em precificar seu petróleo em dólares e investir seus excedentes em ativos americanos. O petrodólar se espalhou para outras áreas do comércio, e a moeda americana hoje é usada em cerca de 90% das transações globais.
Ainda assim, o dólar vem enfrentando desafios, especialmente depois que sanções dos Estados Unidos excluíram a Rússia do sistema financeiro baseado na moeda americana, em resposta à invasão da Ucrânia em 2022. Outros países passaram a temer ser alvo de sanções semelhantes e vêm reduzindo sua dependência de ativos denominados em dólares, com bancos centrais ampliando reservas de ouro e reduzindo posições em títulos do Tesouro americano. O mBridge segue avançando apesar das saídas e incorporou recentemente Macau como participante. Um relatório do Atlantic Council publicado no início deste ano constatou que as transações na plataforma saltaram para mais de US$ 55 bilhões, um aumento de aproximadamente 2.500 vezes desde 2022.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação