Cidade alemã proíbe novas homenagens às vítimas do Holocausto e é alvo de críticas
O conselho municipal de Heidenau, cidade nos arredores de Dresden, no leste da Alemanha, votou na noite de quinta-feira para proibir a instalação de novas “pedras de tropeço” em vias públicas e calçadas do município. A decisão gerou críticas generalizadas na sexta-feira, incluindo do embaixador de Israel no país, segundo a agência Deutsche Welle.
Conhecidas em alemão como “Stolpersteine”, as pequenas placas de latão estão espalhadas pelas ruas de toda a Alemanha. Embutidas nas calçadas, geralmente em frente à última residência conhecida da vítima, elas trazem os nomes e os destinos de judeus e de outras pessoas perseguidas pelo regime nazista, e se tornaram uma das formas mais visíveis de lembrança do Holocausto no país.
A moção aprovada em Heidenau foi suprapartidária, apresentada por vereadores do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e da União Democrata Cristã (CDU), legenda de centro-direita do chanceler Friedrich Merz. O texto argumentava que muitos familiares de vítimas do Holocausto consideram as “pedras de tropeço” uma forma inadequada de lembrança, porque os transeuntes caminham sobre elas. Como alternativa, defendia que as homenagens ocorressem preferencialmente no cemitério Nordfriedhof, nos arredores da cidade.
Políticos alemães e membros da comunidade judaica do país reagiram com indignação. “Estou envergonhado”, escreveu o embaixador de Israel na Alemanha, Ron Prosor, no X, observando que algumas das pedras de tropeço instaladas no país recordam o destino de integrantes de sua própria família. “A Alemanha precisa de uma barreira clara contra o antissemitismo, venha ele da direita, da esquerda ou de círculos islamistas. Sem exceção.”
A ministra da Educação da Alemanha, Karin Prien, a primeira ministra abertamente judia na história do país no período pós-guerra, classificou a decisão como “um escândalo”. Segundo ela, quem procura relegar os locais de memória da vida judaica aos cemitérios está tornando os judeus “invisíveis mais uma vez”, afirmou ao tabloide alemão Bild.
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Por Redação