Cinco fatores que podem definir as eleições de meio de mandato nos EUA
Os republicanos têm maioria de 218 cadeiras na Câmara e 53 no Senado, além de dois congressistas independentes que costumam votar com a oposição. Modelos de projeção como o Decision Desk HQ apontam cerca de 80% de chance de vitória democrata na Câmara e aproximadamente 60% no Senado. No Senado, a conta é mais apertada: não bastaria igualar o número de cadeiras dos republicanos, porque, em caso de empate em um plenário dividido, o voto decisório cabe ao vice-presidente JD Vance. Com maioria na Câmara, a oposição passaria a comandar comissões importantes, como a de Relações Exteriores, que dá aval a operações militares. Uma eventual maioria democrata também poderia abrir processo de impeachment contra Trump — a abertura exige maioria simples na Câmara, mas a condenação depende de 67 votos no Senado. O líder do partido na Câmara, Hakeem Jeffries, tem sinalizado que o tema pode ganhar força.
O custo de vida aparece como eixo central. Antes do início da guerra no Oriente Médio, em fevereiro, o galão de gasolina nos EUA custava pouco menos de US$ 3; em outubro, segundo a associação automobilística AAA, saltou para cerca de US$ 4,30. O Irã fechou a circulação no Estreito de Ormuz, uma das principais vias de escoamento de petróleo, e a Rússia passou a segurar exportações de diesel. Em setembro, a inflação ao consumidor acelerou para 3,7% em doze meses. Para o historiador James N. Green, presidente do Conselho Diretivo do Washington Brazil Office, controlar a inflação e o alto custo de vida é a questão mais importante para o eleitorado, ao lado das guerras sem fim.
O conflito contra o Irã desponta como principal fator externo de desgaste. Em 2002, George W. Bush foi o caso excepcional deste século a não sofrer derrota na composição do Congresso em seu primeiro midterm, um ano após os atentados de 11 de Setembro. Para o ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa, a guerra é determinante porque o preço da energia e dos fertilizantes subiu muito, e o Congresso tende a ser mais crítico em relação ao conflito.
No front comercial, a Suprema Corte decidiu por 6 votos a 3, em fevereiro, que a lei de emergência econômica usada por Trump não autoriza a criação de tarifas. O governo substituiu as taxas derrubadas por outras, baseadas em leis comerciais, e o Brasil passou a pagar tarifa própria de 25%. Barbosa avalia que, se perder o controle de uma ou das duas Casas, Trump verá a questão do tarifaço questionada, por ser competência do Congresso. Revogar as tarifas exigiria aprovação legislativa, mas o presidente poderia vetar — e derrubar o veto requer dois terços das duas Casas.
A imigração completa a lista. As prisões do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) entraram na disputa pelo voto latino. Para Green, boa parte dos detidos não cometeu crime além de entrar nos EUA e permanecer além do tempo permitido. O historiador afirma que a repressão contra a comunidade latino-americana chocou e mudou a opinião pública, com rechaço compartilhado por norte-americanos e cidadãos diante da violência da abordagem nas ruas.
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